Uma empresa investigada pela Polícia Federal (PF) no âmbito de um suposto esquema de corrupção na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Alagoas recebeu mais de R$ 27,4 milhões do Governo de Alagoas entre dezembro de 2025 e junho de 2026, conforme levantamento da Frances News. A CHMMED, citada em relatório da PF, segue com contratos ativos na pasta, mesmo sob suspeita de irregularidades na compra de livros e outros insumos.
O montante de R$ 27,4 milhões foi identificado em pagamentos realizados pelo governo estadual à empresa no período de sete meses. A investigação da PF, que teve acesso a documentos e depoimentos, aponta que a CHMMED estaria envolvida em um esquema que desviou recursos públicos por meio de contratos superfaturados e fraudes em licitações. A empresa, no entanto, não teve seus contratos suspensos ou rescindidos pela Sesau, o que levanta questionamentos sobre a continuidade das relações comerciais com o poder público.
Panorama político e impacto nos cofres públicos
O caso ganha relevância em um contexto de escândalos recorrentes na administração pública alagoana. A CHMMED já havia sido alvo de operações anteriores, como a que investigou a compra de livros com indícios de superfaturamento, e agora é novamente citada em relatório da PF. O valor de R$ 27,4 milhões representa um impacto significativo nos cofres estaduais, especialmente em um período de ajuste fiscal e cortes orçamentários em áreas como saúde e educação.
Além disso, a manutenção dos contratos da empresa com a Sesau ocorre em meio a outras investigações que envolvem o governo alagoano. Recentemente, uma clínica sob investigação da PF recebeu mais de R$ 5,2 milhões do Governo de Alagoas em 2026, e uma obra de R$ 20 milhões para um hospital foi vencida em 48 horas por uma empresa investigada por propina. Esses casos, somados ao da CHMMED, sugerem um padrão de fragilidade nos mecanismos de controle e transparência na gestão pública estadual.
A Frances News, responsável pelo levantamento, destacou que os pagamentos à CHMMED ocorreram mesmo após a deflagração de operações policiais e a divulgação de relatórios que apontam irregularidades. A empresa, que atua no ramo de fornecimento de materiais e serviços para a saúde, não se manifestou publicamente sobre as acusações.
O caso reforça a necessidade de maior rigor na fiscalização de contratos públicos e na aplicação de sanções a empresas investigadas, especialmente quando envolvem recursos destinados à saúde da população. A continuidade dos pagamentos à CHMMED, enquanto as investigações prosseguem, levanta dúvidas sobre a efetividade dos mecanismos de compliance e controle interno do governo alagoano.
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