A Copa do Mundo de 2026 terá parte dos jogos da seleção brasileira em horários noturnos para quem acompanha do Brasil, devido ao fuso dos países-sede Estados Unidos, México e Canadá. Na primeira fase da competição, os três jogos da seleção ocorrerão à noite, levando empresas de diversos setores a se prepararem com ajustes nas escalas de trabalho e instalação de telões para acompanhamento coletivo.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a mudança no horário das partidas — que tradicionalmente ocorriam em horário comercial ou vespertino — exige adaptações logísticas e de gestão de pessoal. Companhias dos ramos de tecnologia, varejo, indústria e serviços já anunciaram medidas para conciliar a paixão pelo futebol com a produtividade, como flexibilização de horários, home office em dias de jogos e criação de espaços de confraternização com telões.
Impacto no mercado de trabalho e na economia
O fenômeno não é inédito: em Copas anteriores, o Brasil registrou queda média de 30% a 40% na produtividade durante os jogos da seleção, segundo estimativas de consultorias de RH. Desta vez, com os jogos noturnos, o impacto pode ser menor no expediente diurno, mas exige planejamento para evitar sobrecarga ou absenteísmo nos turnos seguintes. Empresas como Google Brasil, Ambev e Magazine Luiza já confirmaram a instalação de telões em áreas comuns e a liberação de funcionários para assistir às partidas, desde que haja compensação de horas.
No setor de serviços, redes de fast-food e supermercados preveem aumento de demanda nos horários de intervalo dos jogos, enquanto bares e restaurantes se organizam para receber torcedores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o torneio pode injetar até R$ 5 bilhões na economia brasileira, considerando consumo em alimentação, bebidas e artigos esportivos.
Panorama político e social
A decisão de flexibilizar jornadas não é apenas empresarial, mas também reflete um contexto político mais amplo. O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, emitiu uma nota técnica orientando que acordos coletivos podem prever compensações sem necessidade de alteração na legislação trabalhista. Já sindicatos, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendem que as empresas garantam o direito de acompanhamento sem prejuízo salarial.
Além disso, a Copa de 2026 ocorre em um momento de recuperação econômica pós-pandemia e de debates sobre a reforma tributária. A realização do torneio em três países da América do Norte também levanta questões sobre logística de viagens e turismo, com agências de viagem reportando aumento de 40% na procura por pacotes para os EUA, México e Canadá.
Para especialistas em gestão, a tendência é que as empresas adotem modelos híbridos de trabalho durante o evento, combinando presença física e remota. A Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a experiência pode servir de laboratório para políticas de flexibilidade no longo prazo, especialmente em setores com alta demanda de concentração.
Com a proximidade do início da competição, em junho de 2026, a expectativa é que mais companhias anunciem suas iniciativas. A Folha de S.Paulo continuará acompanhando as adaptações do mercado brasileiro para o maior evento esportivo do planeta.
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