Entrevista de Romeu Zema ao g1 e GloboNews: Fato ou Fake? Especialistas apontam distorções em dados sobre corrupção e contas públicas

O candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, participou de entrevista ao g1 e à GloboNews nesta quinta-feira (6), em série com os presidenciáveis. Durante a conversa, conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, Zema afirmou ter feito um governo sem escândalos e destacou a melhora nas contas de Minas Gerais. No entanto, a equipe do Fato ou Fake apontou que a declaração sobre ausência de corrupção é #FAKE, enquanto os dados fiscais são #FATO, mas com ressalvas para o futuro.

A entrevista faz parte de uma série realizada com os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada em 24 de julho. O sorteio definiu a ordem: terça-feira (4) – Lula (PT), que não compareceu; quarta-feira (5) – Renan Santos (Missão); quinta-feira (6) – Romeu Zema (Novo); sexta-feira (7) – Ronaldo Caiado (PSD), que confirmou presença; e segunda-feira (10) – Flávio Bolsonaro (PL), que não havia confirmado até a última atualização.

Declaração sobre ausência de corrupção é #FAKE

Zema afirmou: “Eu, como governador, fiz um governo de sete anos e meio sem nenhum escândalo, sem nenhuma corrupção.” A declaração é #FAKE. Em 2025, a Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF), revelou um esquema bilionário de corrupção na mineração em Minas Gerais, atingindo diretamente o alto escalão do governo. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e de patrimônio foram exonerados ou afastados após serem citados nas investigações.

O inquérito aponta que o grupo criminoso — formado por empresários, delegados e políticos — subornava servidores públicos para obter licenças ambientais que permitiam a exploração e o manuseio do minério de ferro em diferentes regiões do estado, algumas próximas de unidades de preservação ambiental. Entre os alvos estavam funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais.

Dados fiscais são #FATO, mas com alerta para o futuro

Sobre as contas públicas, Zema declarou: “Como você disse muito bem, em Minas Gerais, nós saímos de um déficit para um superávit, o que era negativo em 2018, menos R$ 11 bilhões, em 2024 se transformou em R$ 5 bilhões positivos.” A declaração é #FATO. No Balanço Geral do Estado, divulgado no final de 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG), o déficit orçamentário foi de aproximadamente R$ 11,4 bilhões. Em 2024, o resultado registrou saldo positivo de R$ 5,1 bilhões, impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho.

Ao fim de 2025, a SEF-MG apontou superávit de R$ 1,1 bilhão. No entanto, para o fim de 2026, a pasta projeta o retorno de um déficit de R$ 5 bilhões, o que coloca em perspectiva a sustentabilidade fiscal do estado a médio prazo.

O panorama político nacional ganha contornos de disputa acirrada, com candidatos apresentando propostas para áreas sensíveis como economia, segurança e meio ambiente. A checagem de fatos torna-se ferramenta essencial para o eleitor distinguir realidade de promessas de campanha.

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