Escândalo da ‘Emenda Master’ expõe conexões de Vorcaro com aliados de Lula e Bolsonaro no Congresso

A operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), nesta quinta-feira (18), revelou que lideranças ligadas ao governo Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atuaram em conjunto para aprovar a chamada ‘Emenda Master’, que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ, beneficiando diretamente o modelo de negócios do Banco Master, conforme apontam as investigações.

A emenda foi apresentada pelo ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, senador Ciro Nogueira (PP-PI), e, segundo a PF, contava com Jaques Wagner como um de seus articuladores. A medida foi inserida na proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a autonomia financeira do Banco Central (BC). Na prática, o aumento do limite ampliaria o modelo de negócios fraudulento do Master, a partir da ampliação da cobertura do FGC, que protege correntistas em caso de quebra de instituições financeiras.

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe relatos da PF que indicam como o senador teria atuado em favor do Banco Master. Em 13 de agosto de 2024, Ciro Nogueira apresentou a sugestão de ampliação do FGC como uma emenda à PEC do BC. Na justificativa, o senador argumentou que o objetivo seria evitar o monopólio dos serviços para as instituições mais tradicionais e maiores.

Na decisão que autorizou mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira em maio, o ministro André Mendonça destacou que as investigações apontam que o texto da emenda teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e entregue ao parlamentar em um envelope. Segundo a PF, após a publicação da emenda, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria afirmado que o texto ‘saiu exatamente como mandei’, conforme trecho citado na decisão.

Em março, o g1 divulgou a troca de mensagens em que Vorcaro celebrou a emenda, em conversa com a então namorada. ‘Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco’, disse Vorcaro. Segundo a PF, na mesma data em que Ciro Nogueira apresentou a emenda, houve uma sequência de contatos entre Guilherme Sodré, Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete de Jaques Wagner e Augusto Lima, sócio de Vorcaro e elo entre o Master e o governo.

O escândalo reacende o embate entre PT e oposição sobre financiamento e investigações seletivas, com a senadora Eudócia Caldas pressionando Renan Calheiros por uma CPI do BMG-Master. A crise política se aprofunda com a troca na cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro, após o envolvimento de Vorcaro em negociações com o BRB. A operação da PF contra Jaques Wagner, aliado de Lula, expõe a amplitude das conexões de Vorcaro, que transitava entre os dois governos, e levanta questionamentos sobre a atuação do Congresso na aprovação de medidas que beneficiam interesses privados.

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