Escândalo Financeiro: Banco Master Revende Créditos Inexistentes ao BRB em Manobra Milionária

Descubra como o Banco Master vendeu créditos inexistentes ao BRB por R$ 251,2 milhões em uma operação suspeita durante o Carnaval de 2025, levando à liquidação do Master e à prisão de Daniel Vorcaro, e gerando crise no BRB.

Um escândalo financeiro de proporções significativas abala o setor bancário brasileiro, revelando uma complexa trama envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Documentos internos do BRB, obtidos pelo portal República do Povo, expõem uma transação altamente questionável onde o Banco Master teria adquirido uma carteira de “créditos podres” da Tirreno por R$ 143,6 milhões em 4 de março de 2025, uma terça-feira de Carnaval, para revendê-la ao BRB no dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, por impressionantes R$ 251,2 milhões. A operação, marcada por um ágio de R$ 107,3 milhões e realizada em um feriado nacional, levanta sérias dúvidas sobre a integridade dos processos e a supervisão regulatória, culminando na liquidação do Banco Master pelo Banco Central e na prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, em meio a uma tentativa frustrada do BRB de adquirir parte do banco privado.

A revelação central deste caso, detalhada em um relatório de um grupo de trabalho do BRB concluído em 19 de maio de 2025, é que os créditos da Tirreno, na prática, não existiam. Em depoimento, o empresário Daniel Vorcaro admitiu não ter desembolsado nenhum valor pelos títulos antes de repassá-los ao banco estatal. O parecer do BRB destaca a natureza extraordinária da transação entre o Master e a Tirreno, realizada em um dia não útil, quando não há expediente bancário. “Essa operação, realizada em um dia não útil, suscita dúvidas quanto à regularidade do trâmite e à observância dos procedimentos operacionais usuais, o que pode demandar esclarecimentos adicionais ou documentação complementar para validação da legitimidade do processo”, afirma um trecho do documento.

A Manobra da Revenda e o Ágio Milionário

No dia seguinte à suposta aquisição, a Quarta-Feira de Cinzas, o Banco Master procedeu com a revenda da mesma carteira de crédito ao BRB. Embora a carteira estivesse avaliada pelo Master em R$ 143,8 milhões na data da operação com o BRB, o banco estatal pagou R$ 251,2 milhões, gerando um ágio substancial de R$ 107,3 milhões. Este valor adicional, que o comprador aceita pagar na expectativa de lucrar com juros futuros, torna-se ainda mais questionável diante da natureza inexistente dos ativos.

A verdade sobre a origem dos créditos só veio à tona para o BRB durante uma visita técnica realizada em 29 e 30 de abril de 2025. Conforme noticiado pelo g1, foi nessa ocasião que se descobriu que grande parte das carteiras de crédito não provinha diretamente do Banco Master, mas sim da Tirreno. Anteriormente, em reuniões virtuais e outras visitas técnicas, o Master referia-se à fonte dos contratos como uma “Associação”, sem identificação formal. A identificação explícita da Tirreno só ocorreu na visita presencial, por meio do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix.

Contexto Político e Regulatório: O Bloqueio do Banco Central

Este episódio se desenrola em um cenário de intensa movimentação regulatória. Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir 58% das ações do Banco Master por R$ 2 bilhões. Contudo, essa operação foi barrada pelo Banco Central, que, em uma medida drástica, liquidou o Banco Master na mesma data em que Daniel Vorcaro foi preso. Documentos internos do banco estatal indicam que, enquanto o processo de compra pelo BRB estava sob avaliação do Banco Central, a equipe do Banco Master passou a ignorar cobranças formais, adicionando uma camada de opacidade à situação.

O impacto deste escândalo transcende as transações financeiras, alcançando a esfera política e a credibilidade das instituições públicas. A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, já sinalizou a possibilidade de buscar apoio do governo federal, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e afirmou que não descarta afastar dirigentes do BRB envolvidos no caso Master. A crise se aprofunda com o anúncio do BRB de que não divulgaria seu balanço de 2025 no prazo legal, evidenciando a gravidade das repercussões e a necessidade de uma investigação aprofundada para restaurar a confiança pública e garantir a transparência na gestão dos recursos estatais.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *