EUA e Irã mantêm negociações, mas cessar-fogo no Estreito de Ormuz é declarado encerrado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (11) que as negociações entre EUA e Irã serão mantidas, mas o cessar-fogo no Estreito de Ormuz está oficialmente encerrado. A afirmação ocorre em meio ao aumento da pressão militar de Washington sobre a via marítima estratégica, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, chegou a Omã neste sábado para discutir medidas que garantam a passagem segura de embarcações na região, segundo informações da agência de notícias iraniana IRNA.

A declaração de Trump foi feita durante uma entrevista coletiva na Casa Branca, onde ele afirmou que “as conversas continuam, mas a trégua acabou”. O presidente americano não detalhou os termos do fim do cessar-fogo, mas fontes do Pentágono indicam que a Marinha dos EUA intensificou patrulhas no Estreito de Ormuz nas últimas 48 horas, com o envio de dois destróieres e um submarino de ataque rápido. A medida é vista como uma resposta a ataques recentes contra petroleiros de bandeira americana na região, atribuídos por Washington a milícias apoiadas pelo Irã.

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo. Qualquer interrupção no fluxo de petróleo pode impactar diretamente os preços globais do combustível e a economia de países dependentes da importação, como Índia, Japão e China. A Agência Internacional de Energia (AIE) já alertou que um bloqueio prolongado no estreito poderia elevar o barril de petróleo para mais de US$ 120, agravando a inflação mundial.

A visita de Zarif a Omã ocorre em um momento de alta tensão diplomática. O sultanato, que historicamente atua como mediador entre Teerã e Washington, deve receber propostas iranianas para a criação de um corredor seguro de navegação, com escolta de navios de guerra de países neutros. No entanto, analistas do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio (CSMES) avaliam que as chances de um acordo são baixas, dado o histórico de desconfiança entre as partes e a recente escalada retórica.

O cenário atual reflete um impasse mais amplo nas relações entre EUA e Irã, que se deterioraram desde a retirada americana do acordo nuclear de 2015, em 2018. Desde então, Trump impôs sanções econômicas severas ao país persa, enquanto o Irã respondeu com o enriquecimento de urânio acima dos limites permitidos e ataques a infraestruturas petrolíferas na região. A comunidade internacional, incluindo a União Europeia e a ONU, tem pressionado por uma desescalada, mas até o momento não houve avanços concretos.

No plano interno americano, a crise no Estreito de Ormuz também ganha contornos eleitorais, com as eleições presidenciais de 2020 se aproximando. Trump tem usado o discurso de força contra o Irã para mobilizar sua base conservadora, enquanto críticos apontam que a escalada militar pode arrastar os EUA para um novo conflito no Oriente Médio, semelhante ao do Iraque em 2003. O Partido Democrata, por meio de líderes como Nancy Pelosi, já pediu que o presidente submeta qualquer ação militar ao Congresso, conforme exige a Constituição.

Enquanto isso, a população iraniana sofre com os efeitos das sanções, que agravam a inflação e o desemprego. Em Teerã, protestos contra o governo e contra a interferência estrangeira têm se intensificado, com relatos de prisões de ativistas e jornalistas. A Anistia Internacional denunciou que pelo menos 200 pessoas foram detidas nos últimos 30 dias em manifestações relacionadas à crise econômica.

O desfecho das negociações em Omã será acompanhado de perto por mercados financeiros e governos ao redor do mundo. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) convocou uma reunião de emergência para a próxima semana, em Viena, para discutir possíveis medidas de estabilização dos preços. O secretário-geral da entidade, Mohammad Barkindo, afirmou que “a segurança das rotas de navegação é uma prioridade para todos os membros”.

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