Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido da ativista Maria da Penha, foi preso neste domingo (9) em Natal, no Rio Grande do Norte, por descumprir medida protetiva que o proibia de se aproximar da ativista e de duas das três filhas do casal. A prisão ocorreu após ele conceder entrevista à TV Record falando sobre a tentativa de homicídio que o tornou réu e que deu origem à lei que leva o nome da vítima. O pedido de prisão partiu do Ministério Público do Ceará, que apontou a violação da ordem judicial.
O caso de Maria da Penha é um marco na luta contra a violência doméstica no Brasil. Em 1983, ela sofreu uma tentativa de feminicídio que a deixou paraplégica, após ser baleada pelo então marido enquanto dormia. A repercussão do caso levou à criação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no enfrentamento à violência contra a mulher.
O descumprimento da medida protetiva por Marco Antônio ocorreu quando ele participou de um programa televisivo, o que configura violação da ordem judicial que determinava distanciamento mínimo da vítima e das filhas. A entrevista, veiculada pela TV Record, reacendeu o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e a necessidade de fiscalização rigorosa para garantir a segurança das vítimas.
O Ministério Público do Ceará solicitou a prisão preventiva, que foi deferida pela Justiça. A detenção ocorreu em Natal, onde Marco Antônio foi localizado e conduzido à delegacia. Ele agora aguarda decisão judicial sobre o caso, podendo ser transferido para o Ceará, onde responde pelo processo original.
Panorama da violência doméstica em Alagoas
O caso de Maria da Penha ocorreu no Ceará, mas a discussão sobre violência doméstica é nacional. Em Alagoas, dados recentes apontam que a cada 10 mulheres, 4 já sofreram algum tipo de agressão. A capital Maceió registrou, em 2024, um aumento de 15% nos casos de feminicídio em comparação ao ano anterior, segundo a Secretaria de Segurança Pública. A Lei Maria da Penha, que completou 18 anos em 2024, segue como principal ferramenta de proteção, mas a falta de estrutura e de políticas públicas integradas ainda é um desafio.
Casos recentes em Alagoas, como o da morte de Ana Paula, em Maceió, cujo corpo foi encontrado com 63% queimado, e a tragédia em Cataguases, onde uma mulher foi estrangulada na frente da filha de 8 anos, evidenciam a urgência de medidas mais eficazes. Em Maceió, uma mulher reagiu com uma pá após ser agredida pelo marido, que foi preso em flagrante. Em outro episódio, uma briga por volume de som terminou em agressão e prisão.
A prisão de Marco Antônio reforça a importância do cumprimento das medidas protetivas e a necessidade de que a Justiça atue com rigor. O caso também destaca o papel da imprensa, que, ao dar voz a agressores, pode contribuir para a violação de direitos, como ocorreu na entrevista à TV Record.
O Ministério Público e a Defensoria Pública têm atuado de forma conjunta para ampliar a rede de proteção às mulheres, mas a efetividade depende de investimentos em delegacias especializadas, casas-abrigo e programas de reabilitação de agressores. A prisão de Marco Antônio é um passo importante, mas a luta contra a violência doméstica continua sendo um desafio diário para a sociedade brasileira.
Fonte: ver noticia original

