O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, nesta semana, no âmbito do inquérito que investiga a apreensão de uma pistola Glock 9mm com um de seus seguranças durante uma blitz em Taguatinga, região administrativa do DF. Em sua defesa, Bolsonaro afirmou que em momento algum houve intuito de descumprir a lei, e que a arma estava devidamente registrada em seu nome. O depoimento ocorreu na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, acompanhado por seu advogado, Paulo Cunha Bueno.
Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o depoimento, Bolsonaro confirmou que pediu ao militar que o auxiliasse no conserto da arma, após constatar que ela não funcionava corretamente. Em postagem nas redes sociais, Bueno afirmou que ‘em momento algum houve intuito de descumprir qualquer determinação legal’ e classificou o episódio como ‘criminalmente acromático’, ou seja, sem relevância penal. A defesa também informou que o ex-presidente já havia esclarecido todas as questões por escrito ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada.
Apreensão e contexto da blitz
A arma foi apreendida em 15 de junho, quando um automóvel foi parado em um ponto de bloqueio em Taguatinga. Durante a abordagem, os policiais localizaram a pistola modelo Glock 9mm e um carregador sobressalente. O motorista, que conduzia o veículo, foi levado a uma delegacia, onde afirmou que a arma lhe foi entregue por Bolsonaro em razão de uma pane no veículo. A defesa reiterou que a arma é de propriedade do ex-presidente, estava devidamente registrada e, como não houve determinação de cancelamento do registro, ‘deveria, de fato, estar em seu endereço’.
O caso gerou repercussão política e jurídica, especialmente por envolver uma figura pública de alta relevância como Jair Bolsonaro, que já responde a outros processos no STF. A defesa aguarda o arquivamento do inquérito, mas a investigação segue em trâmite na Polícia Civil do Distrito Federal. O episódio ocorre em meio a um cenário de tensão política no país, com debates sobre o porte e registro de armas, além de investigações que miram aliados e ex-integrantes do governo anterior.
Ao final do depoimento, o advogado Paulo Cunha Bueno concluiu sua manifestação pública afirmando: ‘Aguardamos que o inquérito, em trâmite na Polícia Civil do Distrito Federal, seja, em breve, arquivado’. A decisão, no entanto, caberá às autoridades competentes, que analisarão as provas e os argumentos apresentados pela defesa.
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