Ex-senador Romero Jucá retorna à política como pré-candidato a deputado federal e critica pautas-bomba no Senado

O ex-senador Romero Jucá (MDB-RR), pré-candidato a deputado federal, voltou ao centro do debate político ao criticar duramente a avalanche de pautas-bomba aprovadas no Senado, classificando o movimento como ‘uma insanidade’. Em declaração à imprensa nesta segunda-feira (7), Jucá afirmou que, se eleito, priorizará o debate sobre os gastos públicos no Brasil, sinalizando uma agenda de contenção fiscal em meio a um cenário de pressão orçamentária.

A crítica de Jucá ocorre em um momento de intensa movimentação no Congresso Nacional, onde pautas-bomba — propostas que aumentam despesas obrigatórias sem fonte de receita — têm sido aprovadas em ritmo acelerado, gerando preocupação entre economistas e integrantes do Executivo. O ex-senador, que presidiu a Casa entre 2017 e 2019, destacou que o atual ritmo de aprovação compromete a sustentabilidade fiscal e prejudica o planejamento de longo prazo do país.

Panorama político e impacto das pautas-bomba

O retorno de Romero Jucá à política ocorre em um contexto de crise fiscal e disputas eleitorais para 2026. As pautas-bomba, como a revisão de benefícios tributários e o aumento de salários de servidores, têm sido usadas por parlamentares como moeda de troca em negociações com o governo, mas especialistas apontam que podem agravar o déficit público. Jucá, que já foi um dos principais articuladores do Centrão, agora se posiciona como crítico dessas práticas, buscando se diferenciar em uma base eleitoral que inclui Roraima e aliados do MDB.

A pré-candidatura de Jucá também reflete uma tentativa de reabilitação política após anos de ostracismo, desde que foi alvo de investigações na Lava Jato. Ele aposta em um discurso de responsabilidade fiscal e experiência legislativa para atrair eleitores descontentes com a polarização atual. A movimentação ocorre em paralelo a outras articulações no cenário nacional, como a desistência de Kataguiri de disputar o governo de São Paulo para assumir um superministério em eventual gestão de Renan Santos, e a mobilização de lideranças regionais, como a ex-vereadora Célia Rita, que aderiu à pré-campanha de Guilherme Lopes em Alagoas.

Para analistas, a volta de Jucá ao debate público pode influenciar a discussão sobre o ajuste fiscal, especialmente em um ano de eleições gerais. O ex-senador, que já foi relator da reforma da Previdência, agora defende um pacto nacional para conter gastos, mas enfrenta resistência de setores que veem nas pautas-bomba uma forma de garantir benefícios sociais. A reportagem é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, publicada em 7 de abril de 2026.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *