Nesta quinta-feira (26), uma executiva do Carrefour foi um dos alvos da Operação Fisco Paralelo, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para desarticular um esquema de corrupção e fraude no ICMS avaliado em mais de R$ 1 bilhão, com a participação de servidores da Secretaria da Fazenda estadual.
A investigação aponta que Luciene Petroni Castro Neves, responsável pela gestão fiscal e tributária da rede de supermercados, teria recebido tratamento privilegiado e pago propina a fiscais para agilizar a restituição de créditos de ICMS-ST. Mensagens trocadas com um auditor fiscal preso indicam a intermediação em pedidos de ressarcimento.
As evidências coletadas sugerem que fiscais da Receita Estadual se associaram a um grupo para criar um sistema ilegal que acelerava a liberação desses recursos. Em troca, as empresas beneficiadas pagavam comissões, caracterizando a prática de corrupção.
A operação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva em diversas cidades paulistas. Entre os detidos está o agente fiscal Fernando Alves dos Santos, considerado peça-chave no esquema.
A própria rede Carrefour Brasil informou que abriu uma investigação interna e se colocou à disposição do MP para prestar total colaboração. A empresa reafirmou seu compromisso com a integridade e o cumprimento da legislação.
A ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Ícaro, que em 2025 já investigava desvios na Secretaria da Fazenda. Novas informações obtidas, especialmente através da análise de dispositivos apreendidos, permitiram aprofundar as investigações e identificar novos envolvidos.
O MP paulista busca com a ação desmantelar a organização criminosa, coletando provas que ajudem a elucidar completamente os fatos. Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva. A Secretaria da Fazenda de SP afirmou estar colaborando com todas as investigações.
