Expansão da cafeicultura no Vietnã desmata área equivalente ao território de Luxemburgo

O Vietnã, segundo maior produtor de café do mundo, atrás apenas do Brasil, desmatou 207 mil hectares de floresta entre 1990 e 2022 para expandir sua cafeicultura. A área equivale ao território de Luxemburgo e corresponde a 30% dos cerca de 700 mil hectares de plantações de café que o país possui atualmente, conforme levantamento divulgado pelo blog Café na Prensa, da Folha de S.Paulo, em 17 de junho de 2026.

O desmatamento ocorreu principalmente nas regiões de planalto central do Vietnã, onde a cafeicultura se consolidou como motor econômico nas últimas décadas. A expansão foi impulsionada por políticas de incentivo à produção de café robusta, variedade mais resistente e de menor custo, voltada tanto para o mercado interno quanto para exportação. O país tornou-se líder global nesse segmento, superando concorrentes tradicionais como Colômbia e Indonésia.

O impacto ambiental, no entanto, gerou preocupações entre organizações internacionais e ambientalistas. A perda de cobertura florestal compromete a biodiversidade local, afeta o regime de chuvas e contribui para a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, comunidades tradicionais e povos indígenas que dependem da floresta para subsistência foram deslocados ou tiveram seus modos de vida alterados.

No panorama político mais amplo, o caso vietnamita reflete um dilema comum a países em desenvolvimento: conciliar crescimento econômico acelerado com preservação ambiental. O Vietnã, que adotou um modelo de desenvolvimento baseado em exportações agrícolas e industriais, enfrenta pressões de parceiros comerciais, como a União Europeia, que exigem cadeias produtivas sustentáveis. O Acordo de Livre Comércio entre a UE e o Vietnã (EVFTA), em vigor desde 2020, prevê cláusulas ambientais que podem ser acionadas caso o desmatamento avance.

Enquanto isso, o Brasil, maior produtor mundial de café, também lida com desafios semelhantes em suas fronteiras agrícolas, especialmente no Cerrado e na Amazônia. A diferença é que, no caso brasileiro, o desmatamento para cafeicultura é menor em proporção, mas ainda significativo em áreas de expansão recente. Especialistas apontam que a pressão por certificações de sustentabilidade, como as da Rainforest Alliance e do Comércio Justo, tende a aumentar, exigindo que produtores vietnamitas e brasileiros adotem práticas mais responsáveis.

O dado de 207 mil hectares desmatados no Vietnã, divulgado pelo blog Café na Prensa, acende um alerta para o setor cafeeiro global. Consumidores e investidores estão cada vez mais atentos à origem do produto, e a rastreabilidade da cadeia produtiva tornou-se um diferencial competitivo. A expectativa é que, nos próximos anos, o governo vietnamita anuncie medidas de contenção do desmatamento, como zoneamento ecológico e incentivos à recuperação de áreas degradadas, para evitar sanções comerciais e danos à imagem do país como fornecedor confiável.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *