Em um movimento que sublinha a crescente articulação da extrema-direita em escala global, o senador Flávio Bolsonaro, primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez sua estreia internacional em um palco de grande ressonância ideológica. A Conservative Political Action Conference (CPAC), realizada em Dallas, no Texas, serviu como plataforma para o parlamentar brasileiro, que, diante da “fina flor do reacionarismo”, conforme observado por analistas e pela coluna da Folha de S.Paulo, delineou uma visão de mundo polarizada, caracterizando-a como um campo de batalha entre o conservadorismo e o que ele e seus pares denominam ‘globalismo’, uma narrativa que tem ganhado força entre movimentos ultraconservadores ao redor do mundo.
Durante sua participação no evento, que ocorreu em 04 de janeiro de 2026, Flávio Bolsonaro não apenas desfilou como um dos herdeiros políticos de seu pai, mas também articulou uma agenda que ressoa profundamente com os ideais da direita radical. Ele afirmou que sua visão de mundo é a daqueles que enxergam uma contenda incessante entre o conservadorismo e o ‘globalismo’. Este termo, amplamente utilizado pela extrema-direita, serve como um guarda-chuva para agrupar diversas entidades e conceitos que, segundo essa corrente ideológica, ameaçam os valores tradicionais. Entre os alvos dessa retórica estão as ‘elites internacionalizadas’, o ‘ambientalismo’ e os ‘movimentos identitários’, todos apontados como culpados pela suposta dissolução da família e de seus valores mais arraigados, conforme a análise publicada pela Folha de S.Paulo.
Essa linha de pensamento não é nova no cenário político brasileiro. Tais ideias foram intensamente propagadas em 2019 pelo então chanceler Ernesto Araújo, cuja gestão à frente do Ministério das Relações Exteriores foi marcada por uma diplomacia ideológica que, para muitos observadores, levou a política externa brasileira a um patamar de descrédito internacional. A reiteração desses conceitos por Flávio Bolsonaro na CPAC demonstra a persistência e a busca por legitimação internacional de uma agenda que já moldou significativamente a imagem do Brasil no exterior. Além disso, em um discurso que buscou polarizar ainda mais o cenário político, o senador afirmou que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um antagonista dos americanos, buscando associá-lo a figuras como Nicolás Maduro, em uma clara tentativa de deslegitimar o governo vigente perante a audiência conservadora internacional.
O panorama político geral indica que a presença de figuras como Flávio Bolsonaro em eventos internacionais de cunho conservador não é meramente simbólica. Ela reflete uma estratégia de construção de redes e de solidificação de uma frente ideológica transnacional. Em um momento de reconfiguração política no Brasil, com o retorno de um governo de centro-esquerda, a projeção dessas pautas em fóruns como a CPAC serve para manter viva a chama do movimento conservador e para influenciar debates públicos, tanto no âmbito doméstico quanto no internacional. A articulação dessas forças busca, em última instância, contestar narrativas dominantes e promover uma visão de mundo que prioriza a soberania nacional sob uma ótica conservadora, a defesa de valores tradicionais e a crítica a organismos multilaterais e agendas progressistas.
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