FAB resgata 13 brasileiros retidos na Venezuela após terremoto paralisar aeroportos

A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou o resgate de 13 brasileiros que estavam retidos na Venezuela após um forte terremoto ter fechado os aeroportos do país vizinho. Os cidadãos, que não tiveram seus nomes divulgados, buscaram abrigo e assistência na Embaixada do Brasil em Caracas, de onde foram retirados em uma operação coordenada entre o Ministério das Relações Exteriores e a FAB. O resgate ocorreu graças a um voo humanitário que já estava programado para levar donativos ao país e retornaria vazio ao Brasil, sendo então adaptado para trazer os brasileiros de volta.

O terremoto, que atingiu magnitude 7,2 na escala Richter, devastou diversas regiões da Venezuela, causando danos significativos à infraestrutura local, incluindo o fechamento total dos aeroportos de Caracas, Maracaibo e Valência. A paralisação das operações aéreas deixou centenas de estrangeiros, entre eles os 13 brasileiros, impossibilitados de deixar o país pelos meios convencionais. A situação gerou um clima de apreensão entre os viajantes, que relataram dificuldades para encontrar abrigo e alimentos nos primeiros dias após o desastre.

Operação de resgate e ajuda humanitária

O avião utilizado no resgate, um C-130 Hércules da FAB, havia partido do Brasil com destino à Venezuela transportando 15 toneladas de medicamentos, alimentos não perecíveis e kits de higiene, doados por organizações não governamentais brasileiras. Após descarregar a ajuda humanitária em Caracas, a aeronave, que originalmente retornaria vazia ao Brasil, foi redirecionada para realizar o resgate dos brasileiros. A operação foi autorizada pelo governo venezuelano, que enfrenta críticas pela lentidão na resposta ao desastre e pela falta de infraestrutura para lidar com a crise.

Os 13 brasileiros resgatados, entre eles famílias com crianças e idosos, foram levados para a base aérea de Brasília na manhã desta quarta-feira, onde receberam atendimento médico e psicológico. Em depoimento à imprensa, um dos resgatados, João Silva, de 45 anos, empresário de São Paulo, descreveu a experiência como “aterrorizante”. “Estávamos em um hotel no centro de Caracas quando o chão começou a tremer. Foi um caos. Conseguimos chegar à embaixada, mas não sabíamos se conseguiríamos sair do país. A FAB foi nossa salvação”, afirmou.

O resgate ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Venezuela, que vivem um período de relações instáveis desde a ruptura democrática no país vizinho, em 2023. Enquanto o governo brasileiro mantém uma postura de neutralidade e diálogo, a oposição venezuelana acusa o regime de Nicolás Maduro de negligência na gestão da crise humanitária. O terremoto expôs ainda mais a fragilidade da infraestrutura venezuelana, que já sofria com apagões elétricos e escassez de combustível antes do desastre.

Especialistas em relações internacionais apontam que a operação de resgate, embora bem-sucedida, não deve ser vista como um sinal de aproximação entre os dois países. “O Brasil agiu por dever humanitário, mas a crise na Venezuela continua sendo um desafio para a região. O resgate mostra a capacidade logística da FAB, mas também evidencia a dependência de ajuda externa para lidar com desastres naturais em um país já fragilizado politicamente”, analisou a professora de relações internacionais da Universidade de Brasília, Ana Costa.

Enquanto isso, a Defesa Civil venezuelana informou que o número de mortos no terremoto subiu para 47, com mais de 200 feridos e centenas de desaparecidos. As equipes de resgate continuam trabalhando nos escombros, mas enfrentam dificuldades devido à falta de equipamentos e à instabilidade política. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, anunciou que enviará mais ajuda humanitária nos próximos dias, mas não confirmou novas operações de repatriação de brasileiros, já que a maioria dos cidadãos que estavam na Venezuela conseguiu deixar o país por meios próprios antes do fechamento dos aeroportos.

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