Facebook reprova maioria dos anúncios com desinformação eleitoral, mas falha em filtrar todos, aponta Anistia Internacional

Um teste conduzido pela Anistia Internacional Brasil revelou que o Facebook falha em filtrar anúncios com desinformação eleitoral, aceitando mais da metade das publicações com conteúdo antidemocrático submetidas pela organização. A análise, divulgada nesta terça-feira (25) pela ONG, ocorre a exatos 40 dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro.

De acordo com o informe da Anistia Internacional, foram enviados ao Facebook 15 anúncios pagos, todos redigidos em português e direcionados exclusivamente à população brasileira em idade de votar, ou seja, a partir de 16 anos. Desses, 14 continham desinformação eleitoral e apenas um era considerado “neutro”. Os conteúdos não chegaram a ser publicados, mas a plataforma, de propriedade da empresa americana Meta, aceitou a programação de mais da metade deles, o que indica que teriam ido ao ar se o teste prosseguisse.

Estratégias de desinformação identificadas

Os ativistas definem desinformação como o uso de “informação falsa, de caráter deliberado”. Os anúncios com esse tipo de conteúdo seguiram três estratégias principais: deslegitimação eleitoral, com conteúdos que buscam minar a confiança nas eleições, nos sistemas de votação ou nos resultados; construção do inimigo, apresentando adversários políticos e tribunais como ameaças à nação ou como atores ilegítimos; e autoritarismo com foco na segurança, que apresenta o uso da força, a intervenção militar ou o governo de um líder autoritário como respostas necessárias à criminalidade ou à desordem política.

Um dos anúncios, por exemplo, sustentava: “precisamos de uma revolução militar”. Apesar do teor explicitamente antidemocrático, a plataforma não o bloqueou, evidenciando lacunas nos mecanismos de moderação da rede social.

Panorama e implicações para o processo eleitoral

O resultado do teste acende um alerta para o período eleitoral, em que a disseminação de desinformação pode influenciar a percepção pública sobre a legitimidade do processo e dos candidatos. A falha do Facebook em detectar esses conteúdos ocorre em um contexto de debate global sobre a responsabilidade das plataformas digitais no combate à desinformação, especialmente em momentos de alta polarização política.

Especialistas apontam que a ausência de filtros eficazes pode amplificar narrativas que desestabilizam a democracia, como ataques ao sistema eletrônico de votação e apelos a intervenções militares. A Anistia Internacional reforça que a Meta, dona do Facebook, precisa aprimorar seus sistemas de revisão para identificar e bloquear conteúdos que violem as próprias políticas da plataforma e a legislação eleitoral brasileira.

O caso também reacende o debate sobre a regulação das redes sociais no Brasil, em um momento em que o Congresso discute projetos de lei para responsabilizar as empresas por conteúdos publicados por usuários. A expectativa é de que o episódio sirva de pressão para que as plataformas adotem medidas mais rígidas antes do pleito de outubro.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *