Fadiga e sonolência em Bolsonaro por efeito de medicamentos são apontadas em relatórios médicos enviados ao STF

Relatórios médicos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que o ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta fadiga e sonolência como efeitos colaterais de medicamentos em uso, enquanto a defesa afirma que o quadro de saúde permanece estável e destaca evolução no controle da pressão arterial e das crises de soluço. Os documentos, protocolados pela equipe jurídica do ex-mandatário, foram anexados a um pedido de reconsideração de medidas cautelares e reacendem o debate sobre as condições de saúde de figuras políticas de alto escalão no Brasil.

De acordo com os laudos, assinados por médicos que acompanham Bolsonaro, os sintomas de fadiga e sonolência são decorrentes de medicamentos prescritos para o tratamento de condições crônicas, incluindo hipertensão e distúrbios gastrointestinais. A defesa sustenta que, apesar dos efeitos adversos, o ex-presidente apresenta “evolução satisfatória” no controle da pressão arterial e redução significativa das crises de soluço, que vinham sendo relatadas desde o início do ano. Os relatórios foram encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que envolvem o ex-presidente no STF.

O caso ganha contornos políticos em um momento de tensão entre os Poderes, com o STF sob pressão de setores da oposição e da base governista. Enquanto aliados de Bolsonaro veem nos relatórios um argumento para flexibilizar medidas restritivas, críticos apontam que a situação de saúde não deve interferir no curso de investigações que tratam de atos antidemocráticos e tentativas de desestabilização institucional. A divulgação dos documentos também reacende o debate sobre a transparência de informações médicas de agentes públicos, especialmente quando utilizadas em processos judiciais.

Especialistas em direito constitucional ouvidos pelo Republica do Povo destacam que, embora a saúde de um investigado seja um fator a ser considerado, o STF tem jurisprudência consolidada de que condições médicas não suspendem automaticamente procedimentos legais. “O tribunal já decidiu em casos anteriores que a análise de medidas cautelares deve levar em conta a gravidade dos fatos e o risco à ordem pública, e não apenas o estado de saúde do acusado”, afirma o advogado Carlos Mendes, professor de direito da Universidade de São Paulo.

Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro aguarda uma decisão do STF sobre o pedido de reconsideração, que pode incluir a substituição de medidas como a proibição de contato com outros investigados ou o uso de tornozeleira eletrônica por alternativas menos restritivas. O caso segue sob sigilo, mas fontes do tribunal indicam que o ministro Alexandre de Moraes deve se pronunciar nos próximos dias, após análise dos relatórios médicos e das manifestações da Procuradoria-Geral da República.

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