Um homem foi preso em flagrante na última quinta-feira (7) em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, após se passar por médico e atender uma criança com tumor cerebral. O suspeito, cuja identidade não foi revelada, acompanhava o caso da paciente desde outubro de 2025, quando iniciou o tratamento sem qualquer registro profissional. A ação foi conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que agora investiga o alcance das atividades ilegais do indivíduo.
De acordo com as autoridades, o falso médico foi detido no momento em que realizava atendimento à criança, que já apresentava quadro grave de tumor cerebral. A família da vítima, que confiou no suspeito por indicação, só percebeu a fraude após a piora do estado de saúde da menina. O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a atuação de pessoas sem formação na área de saúde, um problema recorrente no país.
Investigação e desdobramentos
A Polícia Civil informou que o suspeito será indiciado por exercício ilegal da medicina, estelionato e, possivelmente, por lesão corporal culposa, caso seja comprovado que a conduta dele agravou o quadro clínico da criança. A criança segue internada em um hospital da região, sob cuidados de equipes especializadas, e seu estado é considerado estável, mas exige acompanhamento contínuo.
O caso em Nova Iguaçu não é isolado. Em todo o Brasil, crescem os relatos de falsos profissionais de saúde, muitos deles atuando em clínicas irregulares ou atendimentos domiciliares, especialmente em regiões carentes de infraestrutura médica. Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que, somente em 2025, foram registradas mais de 200 denúncias de exercício ilegal da profissão, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.
Panorama da falsa medicina no Brasil
A prática de se passar por médico é crime previsto no Código Penal, com pena de detenção de seis meses a dois anos, além de multa. No entanto, especialistas apontam que a punição branda e a dificuldade de fiscalização em áreas remotas contribuem para a persistência do problema. Muitos desses falsos profissionais atuam em comunidades onde a falta de médicos é crônica, aproveitando-se da vulnerabilidade da população.
A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu afirmou, em nota, que vai reforçar a fiscalização em estabelecimentos de saúde e orientar a população a verificar o registro profissional dos médicos no site do CRM. A pasta também se colocou à disposição para prestar assistência à família da criança.
O caso, que chocou a Baixada Fluminense, serve de alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes de combate à falsa medicina e de ampliação do acesso a serviços de saúde de qualidade. Enquanto isso, a Justiça do Rio de Janeiro analisa o pedido de prisão preventiva do suspeito, que já está detido e aguarda audiência de custódia.
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