Na noite de quinta-feira (18), o município de Arapiraca, no Agreste de Alagoas, foi palco de mais um feminicídio que expõe a gravidade da violência doméstica no estado. Silvânia Maria da Silva, de 36 anos, foi assassinada por estrangulamento dentro da própria casa. O principal suspeito, Ednaldo da Silva, de 41 anos, ex-companheiro da vítima, está foragido. Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado pela recusa de Silvânia em reatar o relacionamento de mais de 20 anos, encerrado em março deste ano. O caso, que mobilizou equipes das polícias Civil e Militar durante toda a noite e madrugada, ainda não teve o suspeito localizado.
De acordo com as investigações, Ednaldo havia se mudado para São Paulo após a separação, mas retornou recentemente a Arapiraca com a intenção de reatar a relação. A vítima, no entanto, recusou a reconciliação e bloqueou o ex-companheiro nas redes sociais. A dinâmica do crime, revelada pelo delegado Douglas Rocha, indica que Silvânia pode ter sido atingida na cabeça com um objeto contundente — possivelmente um pedaço de madeira — antes de ser enforcada com uma corda. A polícia foi acionada após denúncia de que a mulher estava sendo agredida e trancada dentro de casa; ao arrombarem a porta, encontraram-na já sem vida.
As investigações também apontam que Ednaldo tentou tirar a própria vida após o assassinato. Conforme a Polícia Civil, ele preparou uma segunda corda, que se rompeu. Em seguida, levou o corpo de Silvânia para um quarto, cobriu-o com uma coberta e fugiu em uma motocicleta. Um amigo do suspeito relatou que ele confessou o crime após o ocorrido, e vizinhos também foram informados antes da fuga. Imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para auxiliar na localização do foragido, que segue desaparecido apesar das buscas realizadas durante toda a noite e madrugada por equipes das polícias Civil e Militar.
Panorama da violência doméstica em Alagoas
O feminicídio de Silvânia Maria da Silva ocorre em um contexto alarmante de violência contra a mulher em Alagoas. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que o estado registrou, em 2025, um aumento de 12% nos casos de feminicídio em comparação ao ano anterior, com Arapiraca figurando entre as cidades com maior incidência. Especialistas apontam que a falta de efetividade das medidas protetivas e a demora na resposta do sistema de justiça contribuem para a repetição de tragédias como esta. O caso também reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção e acolhimento às vítimas, especialmente em regiões do interior, onde o acesso a serviços especializados é limitado.
Os primeiros procedimentos periciais foram conduzidos pela Unidade de Atendimento ao Local de Crime (UALC 3), e o caso será investigado pela Unidade de Homicídios da 4ª Região, sob coordenação do delegado Everton Gonçalves. A Polícia Civil solicita que informações sobre o paradeiro de Ednaldo da Silva sejam repassadas, de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 181. A sociedade civil e organizações de defesa dos direitos das mulheres cobram celeridade nas investigações e medidas que impeçam que agressores reincidentes continuem a agir impunemente.
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