Menos de 24 horas após o assassinato de uma mulher de 26 anos a tiros dentro da própria casa, em Capoeiras, no Agreste de Pernambuco, a Polícia Civil localizou e prendeu o principal suspeito, Pedro Macena. O crime, ocorrido na última quinta-feira (25), é mais um capítulo da escalada de violência doméstica que assola o interior do estado e expõe as fragilidades do sistema de proteção às mulheres.
De acordo com a investigação, a vítima, cujo nome não foi divulgado, foi morta com múltiplos disparos de arma de fogo enquanto estava em sua residência. Pedro Macena, ex-companheiro dela, é apontado como autor do feminicídio. A rápida ação policial, que culminou na prisão em flagrante ainda na sexta-feira (26), foi possível graças ao trabalho de inteligência e ao monitoramento de rotas de fuga. O suspeito foi encontrado em uma casa de familiares na zona rural do município, sem oferecer resistência.
Panorama da violência doméstica em Pernambuco
O caso de Capoeiras se insere em um contexto alarmante. Dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco apontam que, somente em 2025, foram registrados mais de 40 feminicídios no estado, com uma média de três ocorrências por mês. A maioria dos crimes é cometida por parceiros ou ex-parceiros, dentro de casa, e muitas vezes após a vítima já ter denunciado o agressor. A demora na concessão de medidas protetivas e a subnotificação de casos são apontadas por especialistas como fatores que agravam o problema.
Em Capoeiras, cidade com cerca de 20 mil habitantes, a violência doméstica tem sido tema recorrente. A prefeitura local mantém um Centro de Referência da Mulher, mas a estrutura é limitada. Organizações de direitos humanos criticam a falta de políticas públicas integradas e de um sistema de justiça mais ágil para coibir a reincidência. A prisão de Pedro Macena em menos de 24 horas é uma exceção, já que, em muitos casos, os agressores permanecem foragidos por semanas ou meses.
O papel da polícia e os desafios do sistema
A Polícia Civil destacou que a agilidade na captura foi possível devido à colaboração de testemunhas e ao uso de tecnologia, como o rastreamento de celulares. No entanto, a corporação reconhece que a prevenção ainda é o maior desafio. “A prisão é importante, mas não devolve a vida da vítima. Precisamos de um trabalho contínuo de conscientização e de acolhimento das denúncias”, afirmou o delegado responsável pelo caso, em entrevista à imprensa local.
O crime em Capoeiras também levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas protetivas. A vítima, segundo vizinhos, já havia registrado queixas contra o ex-companheiro, mas as ordens de restrição não impediram o ataque. Especialistas apontam que a falta de monitoramento eletrônico e de uma rede de apoio integrada entre polícia, Judiciário e assistência social contribui para a impunidade.
Enquanto isso, Pedro Macena permanece preso à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia. O caso deve ser encaminhado ao Tribunal do Júri, onde o suspeito responderá por feminicídio, crime hediondo com pena que pode chegar a 30 anos de reclusão. A sociedade de Capoeiras ainda se recupera do choque, enquanto familiares da vítima pedem justiça e medidas mais duras contra a violência de gênero.
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