Fernandes Lima e o Quebra de Xangô: Historiador contesta revisão de homenagens em programa na TV Pajuçara

O historiador Fernando Gomes participa nesta quarta-feira, às 8h30, do programa Fernandes Lima e o Quebra de Xangô, na TV Pajuçara, para contestar publicamente as tentativas de revogar as homenagens ao ex-governador Fernandes Lima. O debate ocorre em meio a um acirrado embate político e religioso no estado, que opõe defensores da memória do ex-governador a movimentos que pedem a revisão de seu legado, especialmente em relação ao episódio conhecido como Quebra de Xangô, ocorrido em 1912.

O programa, que promete reacender a discussão sobre a perseguição aos cultos de matriz africana em Alagoas, terá como foco central a análise histórica do papel de Fernandes Lima durante o período republicano. Fernando Gomes, conhecido por suas pesquisas sobre a história alagoana, argumenta que as homenagens ao ex-governador não devem ser revogadas sem uma compreensão aprofundada do contexto social e político da época. Segundo o historiador, a tentativa de apagar o nome de Fernandes Lima de espaços públicos e monumentos ignora as complexidades históricas e pode representar um revisionismo simplista.

O Quebra de Xangô e o legado de Fernandes Lima

O episódio do Quebra de Xangô, em 1912, marcou a destruição de terreiros de candomblé e a perseguição violenta a líderes religiosos em Maceió, sob a justificativa de combater práticas consideradas subversivas pela elite política da época. Fernandes Lima, que governou Alagoas entre 1912 e 1915, é frequentemente associado a esse período de repressão, embora historiadores como Fernando Gomes apontem que a responsabilidade pelo ato não pode ser atribuída exclusivamente a ele. O debate sobre a manutenção de homenagens ao ex-governador ganhou força nos últimos anos, com movimentos sociais e religiosos exigindo a retirada de seu nome de ruas, escolas e outros logradouros públicos.

No programa, Fernando Gomes deve apresentar documentos e análises que contestam a narrativa de que Fernandes Lima seria o único responsável pelo Quebra de Xangô, destacando que a perseguição religiosa foi um fenômeno mais amplo, envolvendo setores da imprensa, da polícia e da própria sociedade alagoana. O historiador também deve criticar o que chama de “caça às bruxas” contra figuras históricas, defendendo que o caminho correto é o debate público e a educação sobre o passado, e não a simples supressão de nomes.

Panorama político e religioso em Alagoas

A discussão sobre o legado de Fernandes Lima ocorre em um momento de crescente tensão entre grupos religiosos e defensores dos direitos das comunidades de terreiro em Alagoas. Nos últimos meses, vereadores e deputados estaduais apresentaram projetos de lei para revogar homenagens ao ex-governador, gerando reações tanto de setores conservadores quanto de movimentos negros e de matriz africana. Enquanto uns veem a medida como um passo necessário para reparar danos históricos, outros alertam para o risco de apagamento da memória e de politização excessiva do passado.

A participação de Fernando Gomes no programa da TV Pajuçara reflete a polarização do tema, que também envolve disputas eleitorais e alianças partidárias. O historiador, que já atuou como consultor em processos de tombamento e preservação do patrimônio histórico alagoano, defende que a sociedade deve enfrentar o passado com maturidade, sem ceder a pressões de grupos que buscam impor uma visão única sobre a história. O programa, que vai ao ar às 8h30, promete ser um marco no debate público sobre o Quebra de Xangô e o lugar de Fernandes Lima na memória coletiva de Alagoas.

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