O ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), do PSDB, filiou ao partido o vereador Janielson Marques, de Dois Riachos, que responde a um processo criminal por ameaça e porte ilegal de arma de fogo. A filiação ocorreu em abril deste ano, três meses após o caso investigado, conforme revelou a Folha de Alagoas. O episódio ocorre em meio a um cenário político alagoano marcado por disputas acirradas e debates sobre a representatividade de figuras com histórico judicial, especialmente em casos que envolvem violência contra a mulher.
O processo contra Janielson Marques, registrado em janeiro de 2026, aponta que o vereador teria ameaçado uma mulher com uma arma de fogo, além de ser acusado de porte ilegal do artefato. O caso, que ainda tramita na Justiça, gerou reações imediatas de movimentos feministas e de organizações de direitos humanos, que criticaram a filiação como um sinal de desrespeito às políticas de enfrentamento à violência de gênero. Em Alagoas, estado que registrou aumento de 12% nos casos de ameaça contra mulheres em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, a decisão de JHC é vista como um passo controverso em um ano eleitoral.
Panorama político e reações
A filiação de Janielson Marques ao PSDB ocorre em um momento de reestruturação partidária em Alagoas, onde JHC busca consolidar sua pré-candidatura ao governo estadual. O ex-prefeito, que deixou o cargo em 2024 com alta aprovação, tenta ampliar sua base aliada no interior, mas a escolha por um vereador com pendências judiciais gerou críticas dentro e fora do partido. Lideranças do PT e do MDB, principais adversários de JHC, usaram o caso para questionar a coerência do discurso de renovação política do tucano. Em nota, a direção estadual do PSDB afirmou que “a filiação segue os trâmites legais e que o partido respeita o princípio da presunção de inocência”, mas não comentou o mérito das acusações.
O caso também reacendeu o debate sobre a violência política de gênero, tema central nas eleições de 2026. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2025, 34% das candidatas mulheres relataram ter sofrido algum tipo de ameaça durante campanhas em Alagoas. Organizações como a União Brasileira de Mulheres (UBM) e o Observatório da Violência Política contra a Mulher criticaram a filiação, classificando-a como “um retrocesso” e “um incentivo à impunidade”. Em contrapartida, aliados de JHC defendem que o vereador ainda não foi condenado e que a filiação é um ato político legítimo.
Impactos na segurança pública e na opinião pública
O caso de Janielson Marques não é isolado. Em 2025, ao menos 12 vereadores em Alagoas foram denunciados por crimes relacionados à violência doméstica ou porte ilegal de armas, segundo levantamento do Ministério Público Estadual. A situação levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de controle partidário e sobre a responsabilidade dos líderes políticos ao escolherem seus quadros. Em Maceió, a população reagiu com divisão: enquanto parte dos eleitores de JHC minimiza o episódio, outra parcela, especialmente entre mulheres e jovens, vê a filiação como um erro político que pode custar votos nas urnas.
A assessoria de JHC não respondeu aos pedidos de entrevista até o fechamento desta reportagem. Janielson Marques, por sua vez, negou as acusações em suas redes sociais, afirmando que “a Justiça provará minha inocência”. O processo segue em segredo de Justiça, mas a expectativa é de que o caso ganhe novos capítulos nas próximas semanas, especialmente com a aproximação do período eleitoral. Enquanto isso, a filiação de um vereador acusado de ameaça com arma contra uma mulher continua a gerar polêmica e a expor as fragilidades do sistema político alagoano no combate à violência de gênero.
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