O prefeito de Maceió, JHC, filiou em cerimônia oficial um vereador que responde a processo judicial por ameaça com arma de fogo contra uma mulher, conforme revelou a Folha de Alagoas. O ato ocorre em meio a um cenário político local marcado por alianças pragmáticas e acirramento dos debates sobre violência de gênero no estado.
O vereador, cujo nome não foi divulgado na fonte original, é acusado de ameaçar uma mulher utilizando uma arma, crime previsto na Lei Maria da Penha. O caso tramita na Justiça alagoana e ainda não possui sentença definitiva. A filiação foi realizada em evento do partido do prefeito, que busca ampliar sua base de apoio na Câmara Municipal para aprovar projetos de sua gestão.
A decisão de JHC gerou reações imediatas de organizações de defesa dos direitos das mulheres e de partidos de oposição. A Associação de Mulheres de Alagoas emitiu nota repudiando o gesto, classificando-o como “inaceitável em um momento em que o país busca fortalecer o combate à violência doméstica”. Já a oposição na Câmara anunciou que pretende protocolar representação no Ministério Público Eleitoral, argumentando que a filiação fere princípios de moralidade administrativa.
O panorama político em Maceió tem sido marcado por alianças que priorizam a governabilidade em detrimento de bandeiras históricas. Especialistas em ciência política ouvidos pela reportagem apontam que o episódio reflete a fragilidade dos mecanismos de controle partidário e a banalização de casos de violência de gênero no meio político. “A filiação de um acusado de ameaça com arma contra mulher não é apenas um erro ético, mas um sinal de que a pauta feminina ainda é secundária em muitas negociações partidárias”, afirmou a cientista política Ana Paula Silva, da Universidade Federal de Alagoas.
Até o fechamento desta edição, a assessoria do prefeito JHC não se manifestou sobre o caso. O vereador filiado também não foi localizado para comentar as acusações. O processo judicial segue em andamento, e a expectativa é que o caso ganhe novos capítulos nas próximas semanas, especialmente com a aproximação das eleições municipais de 2024.
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