Flávio Bolsonaro critica STF e se coloca como opção de transição em almoço com empresários

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, gerou polêmica nesta quinta-feira (20) ao afirmar, durante almoço com empresários na Mooca, zona leste de São Paulo, que olha para o STF (Supremo Tribunal Federal) com ‘nojo’ e que, se reeleito, o presidente Lula indicará mais quatro ministros que irão ‘perseguir a população’. A declaração foi feita em meio a um discurso em que o parlamentar se apresentou como uma alternativa de ‘transição’ para o país.

O evento, que reuniu lideranças do setor produtivo, foi palco de duras críticas do senador ao atual governo e ao Judiciário. Flávio Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendeu a necessidade de um projeto que ‘restabeleça a ordem’ e criticou o que chamou de ‘ativismo judicial’. ‘Não podemos aceitar que um poder se sobreponha aos demais. O STF virou um problema para o Brasil’, disse, sem citar nominalmente os ministros.

Críticas ao STF e alerta sobre indicações de Lula

Na ocasião, o senador afirmou que, caso Lula seja reeleito em 2026, ele terá a oportunidade de nomear quatro novos ministros para o Supremo, o que, em sua visão, aprofundaria a ‘perseguição’ a setores conservadores e à população em geral. ‘Se Lula continuar, ele vai colocar mais quatro ministros que vão perseguir quem pensa diferente. É por isso que precisamos de uma mudança de rota’, alertou.

Flávio Bolsonaro também se apresentou como um nome capaz de ‘fazer a transição’ para um novo ciclo político, sem dar detalhes sobre alianças ou propostas concretas. ‘Não estou aqui para prometer milagres, mas para dizer que é possível reconstruir o país com diálogo e firmeza’, afirmou, arrancando aplausos de parte da plateia.

Panorama político e reações

As declarações ocorrem em um momento de acirramento do debate político, com a sucessão presidencial de 2026 já em pauta. O senador, que tem se consolidado como um dos nomes da direita, busca ampliar seu diálogo com o empresariado, tradicionalmente sensível a pautas econômicas e de segurança jurídica. No entanto, suas críticas ao STF podem gerar reações negativas no meio jurídico e em setores moderados.

Até o fechamento desta matéria, o STF não havia se manifestado oficialmente sobre as declarações. Já o Planalto, por meio de assessoria, limitou-se a dizer que ‘não comenta declarações de pré-candidatos’. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o discurso de Flávio Bolsonaro reforça a polarização e pode influenciar o eleitorado mais conservador, mas também pode afastar o centro.

Ao final do almoço, o senador respondeu a perguntas de empresários sobre reformas estruturais, mas evitou aprofundar números e prazos. ‘O momento é de ouvir e construir. Em breve apresentaremos um plano consistente’, concluiu.

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