Fundo Gold Style conecta fintech do PCC, intermediária de ‘Dark Horse’ e debêntures sigilosas

Um mesmo fundo de investimento, chamado Gold Style, fez transações com uma fintech apontada como ‘banco paralelo’ da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e com a empresa responsável por repasses à produção de ‘Dark Horse‘, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A revelação, publicada pela Folha de S.Paulo em 10 de junho de 2026, expõe uma complexa rede financeira que envolve desde operações de crédito sigilosas até movimentações milionárias ligadas ao crime organizado e ao mercado audiovisual político.

O Gold Style atuou como intermediário em operações que conectam a fintech investigada por movimentar recursos do PCC — que teria gerido R$ 1,3 bilhão em transações suspeitas, conforme apuração anterior da Folha — e a empresa que viabilizou os repasses para o longa-metragem sobre Bolsonaro. Além disso, o mesmo fundo foi utilizado para emissão de debêntures sigilosas, cujos detalhes não foram divulgados ao mercado, levantando suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos.

Panorama político e econômico

O caso ganha contornos ainda mais sensíveis em um contexto de forte polarização política e de investigações sobre financiamento de campanhas e produções culturais. A conexão entre o Gold Style e o filme ‘Dark Horse‘ — que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro — ocorre em meio a debates sobre o uso de recursos privados para propaganda política disfarçada de entretenimento. Paralelamente, a ligação com a fintech do PCC expõe fragilidades no sistema de controle financeiro brasileiro, que permite que fundos de investimento operem com baixa transparência.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a utilização do mesmo fundo para operações tão distintas — do crime organizado ao cinema político — sugere a existência de uma estrutura de lavagem de dinheiro sofisticada, que mistura setores legais e ilegais da economia. A Gold Style não se manifestou oficialmente até o fechamento desta edição. A Folha de S.Paulo continua acompanhando o desdobramento das investigações, que já mobilizam o Ministério Público e a Polícia Federal.

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