Uma denúncia feita pela chef Renata Vanzetto em maio deste ano, por meio de vídeos publicados em suas redes sociais, trouxe à tona uma prática que, segundo profissionais do setor, é mais comum do que parece: furtos frequentes de itens por clientes em restaurantes de São Paulo. Nos vídeos, Renata relatou que clientes já levaram objetos como talheres, pratos, livros, cinzeiros, porta-contas e até luminárias de mesa. A chef, que comanda 11 estabelecimentos, afirmou que os furtos ocorrem com frequência mesmo em locais de alto padrão. “Vocês sabiam que quanto mais restaurante eu tenho, quanto mais clientes eu atendo, mais roubo a gente tem? Mais talher some, mais prato some […] As pessoas roubam. É assustador, é triste. Pessoas que vão em restaurante caro e tem condições, e não estão furtando por questões de sobrevivência, que chegam num carrão, que pedem um vinho caro e enfia quatro talheres de prata na bolsa”, desabafou. E emendou: “A luminária da mesa, simplesmente enfia na bolsa. Uma luminária de R$ 1.500. Não importa quanto custa, não é dela [da pessoa], é um furto. A pessoa está furtando. Vocês não têm noção da quantidade de vídeos que a gente tem de clientes enfiando [objetos] na bolsa”.
Diante da repercussão, o g1 ouviu empresários do setor de bares e restaurantes, que confirmaram que furtos de itens por clientes fazem parte da rotina de muitos estabelecimentos. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que não possui uma estatística específica sobre esse tipo de ocorrência, mas ressalta que o problema é recorrente. “Ouvindo nossos associados e chefs, percebemos que esta é uma dor diária e crescente”, afirmou Gabriel Pinheiro, líder executivo da Abrasel.
O sumiço de 10 mil guardanapos
Nacionalmente conhecido por ter liderado no Brasil operações de grandes franquias internacionais, o chef Lisandro Lauretti contou que já conviveu com diferentes tipos de furtos ao longo dos seus 30 anos de experiência na gastronomia. Um dos episódios mais marcantes aconteceu em 2015, durante a operação da primeira unidade brasileira do Jamie’s Italian, no Itaim Bibi, Zona Oeste da capital. Segundo o chef, o restaurante perdeu um lote inteiro de guardanapos de pano feitos sob encomenda e com identidade visual exclusiva da casa. A quantidade levada? 10 mil unidades. “Os guardanapos sumiram. E a gente sabe que foram 10 mil porque foi um lote feito sob encomenda. Eles eram bordados e tinham toda uma identidade visual própria.” Segundo Lisandro, os itens desapareceram gradualmente ao longo do primeiro ano de funcionamento.
O panorama político geral do setor de bares e restaurantes em São Paulo revela um ambiente de desafios crescentes, onde a segurança patrimonial se soma a outras dificuldades, como a alta carga tributária e a concorrência desleal. A ausência de estatísticas oficiais sobre furtos dificulta a formulação de políticas públicas específicas, mas a Abrasel tem buscado conscientizar associados sobre medidas preventivas, como o uso de sistemas de monitoramento e a capacitação de equipes. Enquanto isso, chefs como Renata Vanzetto e Lisandro Lauretti seguem expondo o problema, na esperança de que a repercussão gere mudanças de comportamento e maior proteção aos estabelecimentos.
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