A convocação de Neymar pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 já desencadeou uma série de reações políticas que evidenciam a histórica intersecção entre futebol e política no Brasil. O Partido Liberal (PL) publicou um vídeo gerado por inteligência artificial associando a imagem do jogador à do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, com a afirmação de que “Flávio é Neymar e Neymar é Flávio”. O senador compartilhou uma foto ao lado do atleta comemorando a convocação, enquanto Neymar não se manifestou publicamente sobre a postagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em contraponto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem citar nomes, declarou após o anúncio da convocação que o Brasil tem chances de conquistar o hexa, mas vive uma fase sem grandes ídolos no futebol. “Lamentavelmente, a gente não está em uma fase de produção de tantos gênios do futebol como tivemos nas seleções de 58, 62 e 70. A seleção pode ser campeã do mundo, mas o problema é que nossa seleção não tem mais nenhum ídolo”, afirmou durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil.
Especialistas analisam o impacto político do futebol
Para a historiadora Bruna Barenco, mestre e doutoranda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o contexto eleitoral intensifica o impacto político do futebol. “No Brasil, todo ano [desde 1994] de Copa é ano de eleição. Então o futebol ganha uma importância muito maior. Tudo o que esses jogadores falam ou fazem acaba tendo impacto político também”, explica. Ela destaca que atletas como Neymar são celebridades que transcendem o esporte.
O historiador Carlos Fico, pesquisador do CNPq e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reforça que “só um governo pouco habilidoso não se aproveitaria desse tipo de eventual conquista”. A cada quatro anos, futebol e política têm um encontro marcado, independentemente da inclinação ideológica do presidente.
Lula e Trump: o visto dos jogadores na pauta
Em encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em 7 de maio, Lula brincou sobre os vistos dos jogadores brasileiros para entrar nos EUA durante a Copa de 2026. “Espero que você não anule o visto dos jogadores da seleção brasileira, porque a gente vai vir para ganhar a Copa do Mundo”, disse.
O episódio ilustra como o futebol serve como ferramenta diplomática e de projeção política, em um ano eleitoral que promete intensificar o uso da seleção como símbolo nacional.
Histórico: de Pelé a Neymar, o futebol como palco político
A relação entre futebol e política no Brasil remonta a décadas. Na Copa de 1958, sob o governo de Juscelino Kubitschek, o país vivia os “Anos Dourados”. A cada conquista, o esporte foi usado para fortalecer narrativas políticas, como ocorreu em 1970, durante a ditadura militar, e em 1994, com o governo de Itamar Franco. Agora, em 2026, a convocação de Neymar reacende esse debate, com o PL e o PT disputando a simbologia do jogador e da camisa amarela.
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