Gasto público dispara sob Lula e cresce 6% ao ano, revela análise econômica

O presidente Lula enfrenta uma dificuldade estrutural para governar sem que o gasto público primário real cresça 6% ao ano, conforme revela análise do colunista Samuel Pessoa, publicada pela Folha de S.Paulo. O dado, extraído de séries históricas do governo federal, aponta para uma trajetória de expansão contínua das despesas, que supera o crescimento da economia e reacende o debate sobre a sustentabilidade fiscal do país.

O levantamento mostra que, desde o início do terceiro mandato de Lula, o ritmo de crescimento dos gastos primários — que excluem juros da dívida pública — se mantém em patamar elevado, desafiando as metas de equilíbrio orçamentário. A análise de Pessoa destaca que, mesmo com tentativas de contingenciamento, a pressão por investimentos em áreas como saúde, educação e assistência social, aliada a reajustes salariais e programas de transferência de renda, tem impedido uma desaceleração significativa.

Panorama político e fiscal

O cenário ocorre em meio a um acirramento do debate político, com a oposição criticando a gestão fiscal do governo e defendendo cortes mais profundos. Enquanto isso, a base aliada argumenta que o aumento dos gastos é necessário para retomar o crescimento e reduzir desigualdades. A situação se agrava com a perspectiva de novas despesas obrigatórias, como as vinculadas a emendas parlamentares e ao piso da saúde, que limitam a margem de manobra do Executivo.

Especialistas apontam que, sem uma reforma administrativa ou mudanças no arcabouço fiscal, a tendência é de que o gasto público continue superando a arrecadação, elevando a dívida pública e pressionando a taxa de juros. A análise de Samuel Pessoa serve como alerta para a necessidade de um pacto entre os Poderes para conter a escalada das despesas, sob risco de comprometer a estabilidade econômica de longo prazo.

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