O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de usar sua relatoria do caso Master para interferir na eleição presidencial marcada para 4 de outubro. A acusação foi feita durante sessão da Corte, em meio a um clima de tensão entre os magistrados.
“Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou Mendes, dirigindo-se ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. “Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, acrescentou o decano.
Em resposta, Mendonça acusou Mendes de ser “leviano” ao levantar a suspeita. “Não aponte o dedo para mim”, afirmou Mendonça.
Pedido de serenidade e desdobramentos
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu que os ministros deixem a disputa pessoal de lado. A sessão foi interrompida e será retomada às 15h. O ministro Flávio Dino citou descumprimento de normas e sugeriu julgamento conjunto no dia 23.
O caso Master envolve a análise de questões regulatórias e tem gerado divergências entre os ministros. A acusação de Gilmar Mendes ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e levanta preocupações sobre a politização do Judiciário.
Panorama político
O embate entre os ministros do STF ocorre em um momento de alta tensão política no país, com a proximidade das eleições. A Corte tem sido chamada a se pronunciar sobre temas sensíveis que impactam o pleito, e a acusação de interferência política lança luz sobre a independência do Judiciário. Enquanto isso, o caso Master segue sob relatoria de André Mendonça, e a expectativa é de que o julgamento seja retomado ainda nesta terça-feira.
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