Um ginecologista foi preso em Salvador, na Bahia, suspeito de utilizar um óculos equipado com câmera discreta para gravar uma paciente durante uma consulta em uma clínica privada. O caso, que ganhou repercussão nacional, foi denunciado pela própria vítima, que desconfiou do comportamento do médico e acionou a polícia. A investigação, conduzida pela Polícia Civil da Bahia, apura a possível violação de intimidade e busca identificar outras possíveis vítimas do profissional.
A prisão ocorreu após a paciente, que não teve o nome divulgado, perceber que o médico utilizava um óculos com uma câmera embutida, aparentemente discreta, durante o atendimento. A mulher, que estava em uma clínica particular na capital baiana, relatou o ocorrido às autoridades, que imediatamente iniciaram as diligências. O ginecologista, cujo nome não foi revelado pela polícia, foi detido em flagrante e encaminhado para a delegacia, onde prestou depoimento. A polícia apreendeu o óculos-câmera para perícia e análise do material gravado.
Investigação e possíveis vítimas
De acordo com a Polícia Civil, a investigação está em andamento e busca identificar se o médico já havia cometido atos semelhantes com outras pacientes. A corporação não descarta a possibilidade de que o profissional tenha gravado outras consultas, o que configuraria um padrão de conduta criminosa. A polícia solicita que outras possíveis vítimas procurem a delegacia para prestar depoimento e contribuir com as apurações. O caso levanta preocupações sobre a segurança e a privacidade em consultórios médicos, especialmente em procedimentos que envolvem exposição íntima.
A prisão do ginecologista ocorre em um contexto de crescente debate sobre o uso de tecnologias de gravação em ambientes sensíveis, como consultórios médicos. Especialistas em direito digital e criminalistas apontam que a utilização de dispositivos ocultos para filmar pacientes sem consentimento configura crime de violação de intimidade, previsto no Código Penal Brasileiro, com penas que podem chegar a até 5 anos de reclusão. O caso também reacende o alerta para a necessidade de fiscalização e regulamentação mais rigorosa em clínicas privadas, onde a confiança entre médico e paciente é fundamental.
O Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) informou que está acompanhando o caso e que abrirá uma sindicância para apurar a conduta do profissional. A entidade reforçou que a privacidade e o respeito ao paciente são princípios éticos inalienáveis na prática médica. A clínica onde ocorreu o incidente, que não teve o nome divulgado, também se manifestou, afirmando que colabora com as investigações e que adotará medidas internas para evitar que situações semelhantes se repitam. O caso segue sob sigilo judicial, e a polícia aguarda os resultados da perícia para avançar nas investigações.
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