Globo e Febraban articulam com governo Lula e Câmara fim do limite de horas para altos salários na PEC da escala 6×1

O Grupo Globo e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) articularam diretamente com o governo do presidente Lula (PT) e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a inclusão na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que trata do fim da escala 6×1 de um artigo que elimina o limite de horas trabalhadas para trabalhadores que recebem salários superiores a R$ 21,8 mil. A informação foi confirmada por oito pessoas que participaram das negociações.

O dispositivo, inserido no parecer da PEC, pode acabar com o controle de jornada para até 434 mil celetistas em todo o país, conforme levantamento prévio. A articulação ocorreu nos bastidores do Congresso Nacional e envolveu reuniões com lideranças partidárias e representantes do Palácio do Planalto, que viabilizaram a redação final do texto.

Panorama político e impacto da medida

A negociação ocorre em meio a um amplo debate sobre a reforma trabalhista e a flexibilização de direitos. Enquanto entidades sindicais criticam a medida como um retrocesso, setores empresariais defendem a autonomia para acordos individuais entre empregadores e empregados de alta renda. O governo Lula, por sua vez, busca equilibrar as demandas do mercado com a base aliada no Congresso, que inclui partidos de centro e centro-direita.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem sido peça-chave na condução da pauta, articulando com diferentes bancadas para garantir a aprovação da PEC. A inclusão do artigo sobre altos salários foi vista como uma concessão estratégica para viabilizar o texto principal, que propõe o fim da escala 6×1 — uma das bandeiras históricas de movimentos sindicais.

Especialistas apontam que a medida pode gerar impactos significativos no mercado de trabalho, especialmente em setores como comunicação e bancário, onde os salários mais altos são comuns. A Globo e a Febraban, como representantes desses setores, teriam atuado diretamente para garantir que a flexibilização fosse incluída no texto.

O governo Lula, que inicialmente sinalizou resistência à proposta, acabou cedendo após negociações que envolveram a promessa de apoio à PEC por parte de partidos de centro. A medida, no entanto, ainda precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, onde enfrenta resistência de alas mais progressistas.

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