Governadora Raquel Lyra nega espionagem política e defende autonomia da Polícia Civil

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, negou nesta quinta-feira (26) qualquer envolvimento com práticas de espionagem política e afirmou que não é ‘dona da polícia’, em resposta a denúncias de que a Polícia Civil teria monitorado adversários políticos. Em declaração oficial, a chefe do Executivo estadual garantiu que a corporação atua com autonomia e que sua gestão prestará todos os esclarecimentos necessários sobre o caso, que já repercute nos meios políticos e jurídicos do estado.

As denúncias, publicadas inicialmente pelo portal Frances News e replicadas por outros veículos, apontam que agentes da Polícia Civil teriam realizado monitoramento de figuras da oposição e de movimentos sociais, sem autorização judicial ou justificativa legal. A informação gerou forte reação de parlamentares, entidades de direitos humanos e partidos de oposição, que classificaram a prática como ‘grave violação democrática’ e pediram a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.

Em sua fala, Raquel Lyra reforçou que não interfere nas investigações policiais e que a Polícia Civil tem ‘plena independência técnica e operacional’. ‘Não sou dona da polícia. A Polícia Civil tem seu comando, seus procedimentos e sua autonomia. O que posso garantir é que, se houve qualquer irregularidade, ela será apurada com rigor e transparência’, declarou a governadora, em tom de defesa institucional.

A crise política se intensifica em um momento em que o governo de Pernambuco enfrenta desgaste com a base aliada e com setores do judiciário local. Nos bastidores, aliados da governadora tentam conter os danos e evitar que o caso se transforme em um escândalo de grandes proporções, capaz de abalar a imagem de Raquel Lyra a menos de dois anos das eleições estaduais de 2026. A oposição, por sua vez, já articula a criação de uma comissão externa na Assembleia Legislativa para acompanhar as investigações e cobrar respostas do Executivo.

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem destacam que a autonomia da Polícia Civil é um princípio constitucional, mas alertam que o monitoramento político sem controle externo pode configurar abuso de autoridade e violação de direitos fundamentais. ‘A independência policial não pode ser confundida com ausência de controle. É preciso que haja mecanismos de fiscalização, como a Corregedoria e o Ministério Público, para evitar desvios’, afirmou o cientista político Carlos Mendes, da Universidade Federal de Pernambuco.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não havia se manifestado oficialmente sobre o conteúdo das denúncias, mas fontes internas indicam que uma sindicância já foi aberta para apurar os fatos. O caso promete dominar a pauta política nos próximos dias, com novos desdobramentos esperados após a divulgação de documentos e depoimentos de envolvidos.

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