Em um cenário político cada vez mais digitalizado, dez governadores brasileiros que almejam a reeleição em outubro deste ano intensificam suas estratégias nas redes sociais, transformando plataformas como o Instagram em campos de batalha cruciais pela atenção e pelos votos do eleitorado. A corrida eleitoral de 2026 já demonstra uma forte inclinação para o ambiente online, onde a apresentação de entregas governamentais, o debate sobre segurança pública e a busca por proximidade através de memes e uma imagem cuidadosamente construída se tornam ferramentas essenciais para a manutenção do poder, conforme revelado por uma análise detalhada encomendada pelo g1.

A Estratégia Digital dos Governadores

A pedido do g1, um grupo de seis especialistas — quatro em marketing político e duas estrategistas de imagem pública — realizou uma análise aprofundada dos perfis no Instagram de dez chefes de executivos estaduais. Os governadores sob escrutínio foram: Fábio Mitidieri (PSD-SE), Clécio Luís (União Brasil-AP), Rafael Fonteles (PT-PI), Elmano de Freitas (PT-CE), Jorginho Mello (PL-SC), Lucas Ribeiro (PP-PB), Eduardo Riedel (PP-MS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Raquel Lyra (PSD-PE) e Jerônimo Rodrigues (PT-BA). Esta amostra representativa de diferentes regiões e espectros políticos oferece um panorama valioso sobre as táticas empregadas para engajar e persuadir os eleitores.

Análise Especializada e Categorias de Posicionamento

Os especialistas desenvolveram categorias específicas para avaliar os perfis, classificando-os como “ideológico”, “institucional” ou “popular” no que tange à rede social. A imagem de gestor construída foi analisada sob as óticas de “eficiente”, “humano” ou “amigo”, enquanto o discurso sobre segurança pública foi categorizado como “linha dura”, “técnico” ou “moderado”. Por fim, a imagem transmitida pelo visual do político também foi um ponto de análise. Segundo André Régis, Ph.D. em Ciência Política pela Nova Escola de Pesquisa Social de Nova York e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), embora a análise não seja um diagnóstico integral, ela permite identificar padrões cruciais de posicionamento político e comunicação digital, essenciais para a disputa eleitoral.

A Busca por Identificação e a Armadilha da Inautenticidade

Um dos achados mais relevantes da análise é que metade dos pré-candidatos à reeleição adota um perfil “popular” em suas redes sociais, buscando uma conexão mais direta e informal com o público. Kleber Carrilho, professor do MBA em Marketing Político na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador em Comunicação Política, enfatiza que a performance é vital para criar identificação com os eleitores na fase de pré-campanha. Contudo, ele alerta que essa estratégia pode ser prejudicada se o personagem digital for construído apenas taticamente, sem refletir a real personalidade do político, gerando uma percepção de inautenticidade que pode afastar o eleitorado.

Exemplificando essa dinâmica, o estudo aponta para os casos de Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, que ostenta 1,7 milhão de seguidores no Instagram e projeta uma imagem de gestora “humana”, e Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, com 869 mil seguidores, que se posiciona como um governador “amigo”. Ambos, com perfis “populares”, demonstram como nuances na construção da imagem de gestor podem ser decisivas para diferentes públicos, embora a base seja a proximidade com o cidadão comum.

O Panorama Político e a Ascensão das Redes Sociais

A intensa mobilização digital dos governadores reflete uma transformação mais ampla no panorama político brasileiro. As redes sociais deixaram de ser meros canais complementares para se tornarem o epicentro da comunicação política, moldando narrativas, permitindo o micro-direcionamento de mensagens e, por vezes, ditando a agenda pública. A capacidade de um governador de mostrar “entregas” e “governo em ação” em tempo real, de responder a crises ou de humanizar sua figura através de memes e interações diretas, é um ativo inestimável. Em um contexto de crescente polarização e desconfiança nas instituições, a construção de uma imagem de proximidade e eficiência nas plataformas digitais é vista como um caminho para solidificar bases eleitorais e atrair novos adeptos, tornando a disputa pela reeleição um verdadeiro teste de adaptabilidade e domínio da comunicação na era digital.

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