Governo articula com TCU para destravar obras da Transnordestina e impulsionar logística no Nordeste

O governo federal, por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin, anunciou nesta sexta-feira (12) que vai defender junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) a retomada das obras da ferrovia Transnordestina no trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape, localizado nos municípios pernambucanos de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. A declaração foi feita durante a inauguração do novo terminal de contêineres da APM Terminals, no Complexo Industrial Portuário de Suape. A obra, considerada estratégica para o desenvolvimento regional, está suspensa desde maio por decisão do TCU, que condicionou a continuidade à apresentação de estudos de viabilidade socioeconômica.

Em maio, a corte suspendeu a contratação das obras do trecho até que os órgãos envolvidos — Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Ministério dos Transportes — demonstrem corretamente a pertinência e o benefício socioeconômico do projeto. A decisão impede a assunção de novos compromissos financeiros relacionados à retomada da construção. O trecho em questão foi retomado como obra pública em 2022, após ser devolvido pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA).

“Nós vamos trabalhar junto ao TCU para liberar o mais rápido possível, porque esse trecho da Transnordestina que vem para a Suape já está licitado e contratado. É só o TCU dar o ok que as obras podem começar”, afirmou Alckmin, destacando a celeridade necessária para o empreendimento. O governo argumenta que a ferrovia é fundamental para reduzir custos logísticos, promover o desenvolvimento regional e gerar empregos, especialmente no Nordeste.

A articulação política em torno da Transnordestina ocorre em um contexto de busca por investimentos em infraestrutura e de retomada de obras paralisadas. O governo federal tem defendido a importância de projetos estratégicos para alavancar a economia e melhorar a competitividade do país. A decisão do TCU, no entanto, impõe um freio de arrumação, exigindo que os estudos de viabilidade sejam robustos e demonstrem claramente os benefícios esperados.

O processo em tramitação no TCU envolve a análise de documentos e a avaliação técnica do projeto, que inclui a construção de um trecho de aproximadamente 200 quilômetros entre Salgueiro e o Porto de Suape. A conclusão da ferrovia é vista como essencial para integrar a produção agrícola e mineral do interior nordestino aos mercados nacional e internacional, além de desafogar o transporte rodoviário e reduzir emissões de carbono.

O governo espera que, com a apresentação dos estudos solicitados, o TCU libere a continuidade das obras ainda neste semestre. A retomada da Transnordestina é uma das prioridades da gestão federal para a região, que também inclui a ampliação de outros trechos e a modernização de portos e aeroportos. A expectativa é de que o empreendimento gere milhares de empregos diretos e indiretos, tanto na construção quanto na operação da ferrovia.

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