O governo federal tem autorizado novas operações de crédito a estados com base em indicadores menos capazes de indicar risco futuro de crise financeira, sugere estudo publicado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). A pesquisa, intitulada ‘Indicadores Antecedentes de Dificuldades Financeiras Estaduais’, aponta que a metodologia atual de análise do governo ignora sinais precoces de desequilíbrio fiscal, elevando o risco de contágio nas contas públicas.
O levantamento do FGV Ibre, divulgado em março de 2026, analisou a trajetória de endividamento dos estados e comparou os indicadores utilizados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para autorizar novos créditos com modelos preditivos mais robustos. Segundo os pesquisadores, os critérios atuais focam em dados passados, como o cumprimento de metas fiscais, mas não incorporam variáveis que sinalizam deterioração futura, como o crescimento da despesa com pessoal, a queda na arrecadação própria e o aumento de restos a pagar.
Impacto nas Contas Públicas e Risco Sistêmico
O estudo destaca que, desde o início do governo Lula, as operações de crédito a estados e municípios somaram R$ 206 bilhões, conforme reportagem da Folha de S.Paulo. Esse volume expressivo de novos financiamentos, sem a devida avaliação de riscos, pode comprometer a sustentabilidade fiscal de entes federativos já fragilizados. A pesquisa do FGV Ibre sugere que a adoção de indicadores antecedentes, como a relação entre despesa corrente e receita corrente, poderia evitar que estados entrem em espiral de endividamento, como ocorreu em crises anteriores.
O panorama político geral mostra que a flexibilização dos critérios de crédito ocorre em um contexto de pressão de governadores por recursos, especialmente após a pandemia e a desaceleração econômica. No entanto, a análise do FGV Ibre alerta que a falta de rigor na concessão de avais federais pode gerar um efeito dominó, com estados mais endividados arrastando a União para novos socorros financeiros, repetindo o ciclo de crises fiscais que marcou a década de 1990 e o início dos anos 2000.
A pesquisa recomenda que a STN adote um modelo de monitoramento contínuo, baseado em indicadores como o índice de liquidez, a evolução da dívida consolidada e a capacidade de investimento. Sem essa mudança, o estudo conclui que o governo federal corre o risco de autorizar créditos que, em vez de estimular o desenvolvimento, aprofundem o desequilíbrio fiscal dos estados e comprometam a estabilidade macroeconômica do país.
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