O governo federal acumula R$ 283,2 bilhões em medidas de estímulo à economia anunciadas desde o início de 2026, valor que se aproxima do pacote de bondades implementado em 2022, quando Jair Bolsonaro costurou uma ofensiva de R$ 325 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, conforme dados compilados pela Reuters e atualizados pela reportagem do g1. O levantamento, feito pelo banco suíço UBS, revela que as iniciativas do Palácio do Planalto abrangem desde a desoneração do Imposto de Renda até a oferta de empréstimos com garantia de fundos estatais, em um cenário de restrições fiscais impostas pelo novo arcabouço.
As ações do governo Lula para aquecer a economia ocorrem em várias frentes e têm sido anunciadas com frequência. Apesar de a legislação restringir esse tipo de iniciativa em anos eleitorais, historicamente há um impulso na atividade econômica gerado por medidas governamentais nesses períodos. Ao comparar as estratégias adotadas nas duas eleições, é possível observar abordagens bastante distintas entre os dois mandatos.
Estratégias diferentes entre 2022 e 2026
Em 2022, sob o estado de emergência decretado pelo Congresso, Bolsonaro avançou com a então chamada “PEC Kamikaze”, que incluiu corte de impostos e reforço nos programas sociais, como o antigo Auxílio Brasil, além dos inéditos Auxílio Caminhoneiro e Auxílio Taxista. O resultado foi um choque no caixa do Tesouro: R$ 167,7 bilhões em isenções e desonerações (51,6% do total), além de R$ 123 bilhões em renda adicional para a população por meio do reforço dos programas sociais (37,9%), com valores corrigidos pelo IPCA.
Em 2026, a fórmula é bem diferente. Limitado pelo novo arcabouço fiscal, o governo traçou um caminho alternativo: tenta criar uma sensação de bem-estar econômico mexendo o mínimo possível no próprio caixa. A solução foi recorrer ao sistema financeiro e a fundos estatais de garantia. Dos recursos mobilizados pela atual gestão, R$ 193,5 bilhões (69% do total) dependem de um gesto simples, mas decisivo, do cidadão ou do empresário: assinar um contrato de dívida.
A assinatura desse contrato para comprar um carro ou uma geladeira nova, no entanto, pode estar esbarrando na realidade. Com o endividamento em alta e a inadimplência em nível recorde, muitos brasileiros — que até gostariam de tomar crédito — não conseguem porque estão com o nome sujo. Essa diferença entre expectativa e realidade é simbolizada pela marcha lenta do programa Move Brasil. A iniciativa, que prevê R$ 30 bilhões em crédito para a compra de carros por motoristas de aplicativo e taxistas, entra no segundo mês com apenas R$ 2 bilhões liberados. A razão? Boa parte dos interessados está com nome sujo ou não consegue cumprir as exigências dos bancos.
O cenário aponta para um embate entre a intenção do governo de estimular a economia via crédito e a capacidade real de endividamento da população, que enfrenta restrições crescentes. Enquanto isso, o valor total das medidas anunciadas se aproxima rapidamente do pacote de quatro anos atrás, o que pode gerar pressões adicionais sobre as contas públicas e sobre a percepção de sustentabilidade fiscal no médio prazo.
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