Governo Lula negocia com Alcolumbre para conter pautas-bomba na segurança e entre evangélicos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta construir um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para impedir a votação de propostas que podem ser fonte de desgaste eleitoral do petista na área da segurança pública e entre evangélicos. A articulação ocorre em meio a um cenário de tensão no Congresso, onde pautas consideradas “bomba” pelo Palácio do Planalto avançam com potencial de impacto fiscal e político.

Segundo interlocutores do governo, a estratégia é evitar que matérias como a que flexibiliza o porte de armas e a que altera regras para igrejas evangélicas ganhem força no plenário. O governo avalia que essas propostas, se aprovadas, podem gerar desgaste eleitoral para Lula, especialmente em um ano eleitoral, ao mesmo tempo em que comprometem o ajuste fiscal e a agenda de segurança pública defendida pelo Executivo.

Panorama político e articulação no Senado

A movimentação ocorre em um momento de acirramento das disputas no Legislativo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem sido alvo de pressão de setores conservadores e da oposição para pautar projetos que atendam a demandas de segurança e de grupos religiosos. O governo, por sua vez, busca construir uma base de apoio que impeça a aprovação de medidas consideradas danosas ao equilíbrio fiscal e à imagem do Executivo.

Entre as propostas que preocupam o Planalto estão a que amplia o acesso a armas de fogo e a que altera a legislação sobre o funcionamento de igrejas, incluindo a possibilidade de isenções tributárias e mudanças na relação com o Estado. O governo argumenta que essas medidas podem gerar um impacto fiscal de bilhões de reais, além de criar um ambiente de insegurança jurídica.

Impacto eleitoral e reações

A tentativa de acordo com Alcolumbre reflete a preocupação do governo com o desgaste eleitoral em duas frentes estratégicas: a segurança pública, tema que mobiliza o eleitorado de centro-direita, e o eleitorado evangélico, que tem se mostrado cada vez mais influente nas urnas. O governo Lula já enfrenta resistência de setores religiosos, e a aprovação de pautas que favoreçam esses grupos poderia fortalecer a oposição.

Enquanto isso, o Senado também discute outras pautas de alto impacto, como a renegociação de dívidas rurais de R$ 140 bilhões, criticada pelo governo como uma “pauta-bomba”. A articulação com Alcolumbre é vista como essencial para conter o avanço dessas matérias e preservar a agenda fiscal do Executivo.

O governo, no entanto, enfrenta dificuldades para construir uma base sólida no Congresso, especialmente após a derrota na votação da urgência do projeto que trata do fim da escala 6×1, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta, cedeu e definiu um relator indicado pelo Planalto. A situação reforça a necessidade de negociações constantes com os líderes partidários para evitar novos reveses.

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