O governo federal anunciou a renovação, por seis meses, das cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), com o objetivo de garantir melhores preços ao consumidor brasileiro e fortalecer a indústria automotiva nacional. A medida, que entra em vigor em 1º de julho de 2026, estabelece um limite de US$ 463 milhões em veículos nos regimes CKD e SKD, permitindo a montagem final dos automóveis no país. A informação foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, durante entrevista ao programa Bom dia, ministro, nesta quarta-feira (24).
A decisão, segundo o ministro, não visa prejudicar a produção nacional, mas sim favorecer o mercado e o consumidor. “O governo federal tomou essa decisão ontem não foi para causar dano para produção nacional, ao contrário, é para favorecer sobretudo o consumidor, o mercado”, afirmou Márcio Elias Rosa. Ele destacou que a presença dos veículos elétricos já se tornou parte da cena urbana do país, e que a renovação das cotas é uma resposta à instalação de novas montadoras no Brasil, como em São Paulo e na Bahia, que já começam a produzir veículos híbridos e híbridos flex, gerando empregos e renda.
Panorama político e econômico
A medida ocorre em um contexto de crescimento do setor automotivo brasileiro, com vendas de veículos novos subindo 15% até maio de 2026, conforme dados da Agência Brasil. O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem buscado equilibrar a abertura comercial com a proteção da indústria nacional. Em maio, Lula defendeu a indústria brasileira de carros na América Latina e África, enquanto o governo manteve a elevação de tarifas para carros elétricos importados, mas renovou a cota zero para CKD e SKD, como forma de incentivar a produção local.
O ministro Márcio Elias Rosa ressaltou que as críticas das montadoras tradicionais são legítimas, mas que o Brasil tem uma série de medidas para acomodar todos os interesses. Ele enfatizou que apenas quem fabricar no país terá acesso às linhas de financiamento do governo, garantindo que a renovação das cotas não prejudique a produção nacional. “Essa decisão foi tomada porque essas montadoras estão se instalando no país para produzir. Tem uma lá em São Paulo, tem outra na Bahia que já estão começando a produzir veículos híbridos, híbridos flex, aqui no país, o que é bom para oferta, tanto para o mercado quanto para geração de emprego e de renda”, explicou.
A renovação das cotas zero para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados é vista como um passo estratégico para consolidar o Brasil como polo de produção de veículos sustentáveis, ao mesmo tempo em que protege o consumidor de preços elevados. A medida, no entanto, gerou debates entre as montadoras tradicionais, que temem concorrência desleal, mas o governo garante que o equilíbrio será mantido por meio de políticas de incentivo à produção local.
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