Governo Trump destina US$ 700 milhões para reerguer indústria do carvão nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (4) o repasse de US$ 700 milhões (R$ 3,54 bilhões) em novos recursos federais para a indústria de carvão em dificuldades no país, incluindo verbas que ajudariam a construir as duas primeiras novas usinas termelétricas a carvão no país em mais de uma década. A medida, divulgada pela agência de notícias Associated Press e repercutida pelo portal Folha de S.Paulo, representa um dos maiores investimentos diretos do governo federal no setor carbonífero desde o início do mandato de Trump.

O pacote contempla tanto a recuperação de usinas já existentes quanto a construção de novas unidades, em um movimento que contrasta com as políticas de descarbonização adotadas por outros países e por estados americanos como Califórnia e Nova York. A indústria do carvão enfrenta queda na demanda devido à concorrência do gás natural e das energias renováveis, além de pressões ambientais crescentes. O anúncio ocorre em um momento em que o governo Trump busca consolidar sua base eleitoral em regiões mineradoras, como a Appalachia e o Meio-Oeste, onde o carvão ainda é um importante empregador.

Impactos econômicos e ambientais

Os US$ 700 milhões serão distribuídos por meio de programas do Departamento de Energia e da Agência de Proteção Ambiental (EPA), com foco em tecnologias de captura de carbono e modernização de plantas antigas. As duas novas usinas, cujas localizações ainda não foram divulgadas, devem gerar cerca de 1.500 empregos diretos durante a construção e 300 postos permanentes cada. Críticos, no entanto, apontam que o carvão é responsável por cerca de 30% das emissões de CO2 do setor elétrico americano e que o investimento pode atrasar a transição para fontes limpas.

Organizações ambientais como o Sierra Club e o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) já anunciaram que vão questionar o pacote na Justiça, argumentando que ele viola compromissos climáticos assumidos pelos EUA no Acordo de Paris, do qual Trump retirou o país em 2017. Por outro lado, sindicatos de mineiros, como a United Mine Workers of America, elogiaram a iniciativa, afirmando que ela garante a sobrevivência de comunidades inteiras dependentes da mineração.

Panorama político e reações

A decisão de Trump insere-se em um contexto de polarização política nos EUA, onde o Partido Republicano defende a soberania energética e a proteção de empregos tradicionais, enquanto os democratas pressionam por um Green New Deal. O anúncio ocorre a menos de cinco meses das eleições de meio de mandato, nas quais o controle do Congresso está em jogo. Analistas do Brookings Institution destacam que o pacote pode fortalecer a base republicana em estados-chave como Pensilvânia, Ohio e Virgínia Ocidental, mas também pode alienar eleitores moderados preocupados com as mudanças climáticas.

No cenário internacional, a medida foi criticada por líderes europeus e por organizações como a Agência Internacional de Energia (AIE), que recomendam o fim dos subsídios a combustíveis fósseis. O governo chinês, por sua vez, manteve silêncio, mas analistas apontam que Pequim pode usar o anúncio para justificar sua própria expansão do carvão, que já é o maior do mundo. O pacote de US$ 700 milhões, embora significativo, representa menos de 0,1% do orçamento federal anual dos EUA, mas seu impacto simbólico é enorme, reacendendo o debate sobre o futuro da matriz energética global.

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