Greve na CPTM: presidente afirma que sindicato descumpre decisão judicial e prejudica população

O presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Cerqueira, afirmou nesta terça-feira (4) que os funcionários em greve não estão cumprindo a decisão judicial que estabelece ao menos 80% do efetivo nos horários de pico dos trens das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A paralisação, que afeta diretamente milhares de usuários do sistema ferroviário paulistano, ocorre em um contexto de tensão entre o sindicato da categoria e o governo estadual, em meio ao processo de concessão das três linhas para a iniciativa privada.

A decisão foi do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo (TRT-SP), que também fixou o mínimo de 60% de empregados trabalhando na operação das três linhas nos demais períodos, sob multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB). No entanto, segundo Michael Cerqueira, no horário de pico da manhã esse percentual não está sendo cumprido pelos grevistas, o que tem impedido a abertura gradativa de novas estações.

Impacto na população e declarações do presidente da CPTM

“A nossa estratégia era ter as estações sendo abertas de forma gradativa, conforme esse percentual de funcionários fossem entrando nas suas escalas naturais para respeitar o que foi determinado pela Justiça. Como isso não vem acontecendo, a gente não tem conseguido avançar em abrir novas estações”, declarou Cerqueira ao Bom Dia SP, da TV Globo. Ele reforçou que a população não pode ser prejudicada e que o governo sempre manteve diálogo aberto com o sindicato, buscando atender às reivindicações dentro do possível.

“A gente não pode permitir que uma pauta política se torne um movimento que prejudique a população. Em razão disso, a gente tem trabalhado e no pico da tarde a gente espera que a categoria tenha consciência disso e volte ao trabalho”, completou o presidente da CPTM.

Reivindicações da categoria e contexto da greve

A greve dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi motivada pela concessão das três linhas para a empresa privada Trivia Trens. Os empregados da CPTM reivindicam a reestatização definitiva das linhas, a garantia de todos os empregos na estatal e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com apoio do governo. O texto do PL, de autoria do deputado Guilherme Cortez (PSOL), prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após concessões.

O sindicato não deu prazo para o fim da greve. Segundo o STEFZCB, que representa os 4.700 empregados da CPTM, apenas 11% dos funcionários das três linhas concedidas foram transferidos para a nova empresa privada, o que acirra o temor de demissões em massa e precarização do serviço.

O impasse entre a CPTM e o sindicato reflete um debate mais amplo sobre o modelo de concessão de serviços públicos no estado de São Paulo, que tem gerado preocupação entre trabalhadores e usuários sobre a qualidade e a continuidade do atendimento. Enquanto o governo defende a modernização e a eficiência por meio da iniciativa privada, os sindicatos alertam para os riscos sociais e trabalhistas. A decisão do TRT-SP, com multa diária de R$ 400 mil, busca garantir a manutenção de um serviço mínimo à população, mas a efetividade dessa medida ainda está sendo testada na prática.

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