Hélio Lopes adota versão ‘Hélio Bolsonaro’ em Roraima, critica Moraes e prega ‘guerra espiritual’

O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) deu início, no domingo (16), à sua campanha eleitoral ao Senado por Roraima, em um ato realizado em uma praça de Boa Vista que reuniu cerca de 30 pessoas. A estratégia inicial do candidato é clara: adotar a alcunha de ‘Hélio Bolsonaro’, mirando o eleitorado alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e pautar a campanha em duas frentes principais: o apoio ao garimpo e a aproximação com o público evangélico.

Durante o evento, Hélio Lopes fez duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, classificando a atuação do magistrado como autoritária e mencionando a necessidade de uma ‘guerra espiritual’ contra o que chamou de perseguição política. O tom beligerante do discurso reforça a aposta do candidato em um eleitorado que se identifica com o bolsonarismo radical, especialmente em um estado com forte presença de garimpeiros e de comunidades religiosas.

Panorama político em Roraima

A candidatura de Hélio Lopes ao Senado por Roraima insere-se em um contexto político local complexo, marcado por disputas entre grupos ligados ao agronegócio, ao garimpo e a lideranças indígenas. A opção por um deputado federal do Rio de Janeiro como postulante à vaga senatorial evidencia a estratégia nacional do PL de lançar candidatos ‘puxadores de votos’ em estados com menor densidade eleitoral, utilizando a imagem de Bolsonaro como principal trunfo.

A escolha de Boa Vista como palco do lançamento não é casual: a capital concentra o maior colégio eleitoral do estado e é um reduto de apoio ao ex-presidente. O ato, embora modesto em número de participantes, serviu para sinalizar a direção da campanha, que deve priorizar o corpo a corpo com lideranças locais e a utilização de redes sociais para amplificar o alcance das mensagens.

O apoio explícito ao garimpo, atividade que gera controvérsia ambiental e jurídica, é um aceno direto a um setor econômico relevante em Roraima, especialmente na região da Terra Indígena Yanomami, onde o garimpo ilegal é alvo de operações do governo federal. A postura de Hélio Lopes contrasta com a posição de outros candidatos que defendem a regularização da atividade, mas com restrições ambientais.

Já o flerte com o eleitorado evangélico, outro pilar da campanha, segue a tendência nacional de aproximação entre políticos de direita e lideranças religiosas, que têm se tornado atores políticos cada vez mais influentes no país. A menção à ‘guerra espiritual’ pode ser interpretada como uma tentativa de mobilizar essa base, que enxerga na política uma extensão da batalha entre o bem e o mal.

A crítica a Alexandre de Moraes também não é novidade no cenário político, mas ganha contornos específicos em Roraima, onde há um sentimento de ‘injustiça’ por parte de alguns setores em relação às decisões do STF, especialmente as que afetam a exploração de recursos naturais. A retórica contra o judiciário deve ser um dos principais motes da campanha, buscando capitalizar a insatisfação popular com a classe política e o sistema judiciário.

Com a estreia oficial, Hélio Lopes inicia uma corrida que promete ser acirrada, com outros candidatos disputando o mesmo eleitorado. A eficácia da estratégia de associar sua imagem à de Bolsonaro e de explorar temas caros à população local será testada nas próximas semanas, à medida que a campanha avança e os debates ganham corpo.

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