Helio Santos lança obra que revisita 14 de Maio e propõe lições antirracistas para o Brasil

O professor Helio Santos, uma das principais referências do pensamento antirracista brasileiro, lança a obra ’14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo’, na qual revisita a data simbólica da abolição da escravatura como marco de resistência e propõe reflexões sobre os caminhos para a construção de uma sociedade mais justa. Ativista e doutor honoris causa pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), Santos dedicou décadas ao estudo das desigualdades raciais e, em seu novo livro, articula memória histórica com propostas concretas de enfrentamento ao racismo estrutural.

A obra chega em um contexto de intenso debate sobre políticas de reparação e ações afirmativas no Brasil. Enquanto o país registra avanços legislativos, como a ampliação de cotas raciais em universidades e concursos públicos, também enfrenta resistências políticas e sociais que questionam essas medidas. O lançamento de Helio Santos se insere nesse cenário, oferecendo uma análise que conecta o passado de luta dos negros no Brasil às demandas contemporâneas por equidade racial.

O título faz referência ao 14 de Maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea em 1888, mas que, para o autor, deve ser ressignificada como um dia de resistência e não apenas de celebração. Santos argumenta que a abolição formal não foi acompanhada de políticas de inclusão, gerando um legado de exclusão que persiste até hoje. A obra propõe um mergulho nas lições históricas de organização e luta da população negra, destacando movimentos sociais, lideranças comunitárias e intelectuais que pavimentaram o caminho para o debate antirracista atual.

Além de Helio Santos, o livro menciona outras figuras importantes do ativismo negro, como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalez e Milton Santos, contextualizando suas contribuições para a formação de um pensamento crítico sobre raça e cidadania no Brasil. A obra também dialoga com dados recentes sobre desigualdade racial, como os divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que negros e pardos representam a maioria da população, mas continuam sub-representados em cargos de poder e com renda média inferior à de brancos.

O lançamento ocorre em um momento em que o governo federal discute a criação de um Ministério da Igualdade Racial com orçamento ampliado e a implementação de um plano nacional de enfrentamento ao racismo. No entanto, especialistas apontam que a efetividade dessas políticas depende de um amplo debate público e da mobilização da sociedade civil, algo que a obra de Helio Santos busca fomentar ao oferecer uma base histórica e conceitual para a ação.

A publicação de ’14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo’ chega ao mercado editorial em meio a uma crescente produção acadêmica e literária sobre relações raciais no Brasil, mas se destaca por sua abordagem didática e engajada. O autor, que já havia se notabilizado por obras como ‘A Busca de um Caminho para o Brasil: A Trilha do Círculo Vicioso’ e artigos em veículos como a Folha de S.Paulo, consolida-se como uma voz essencial para entender os desafios e as possibilidades de superação do racismo no país.

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