Homem armado com espada é detido após ameaçar prefeito de União dos Palmares; família alega transtornos psiquiátricos

Um homem foi preso em flagrante na tarde desta quarta-feira (12) após ameaçar o prefeito de União dos Palmares, em Alagoas, enquanto portava uma espada. A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar (PM) no centro da cidade, gerando comoção e preocupação entre moradores e autoridades locais. Familiares do suspeito relataram que ele possui histórico de problemas psiquiátricos, o que levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas de saúde mental e segurança pública no estado.

De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito foi abordado por uma equipe da Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam) após denúncias de populares que o viram caminhando pelas ruas com a arma branca em punho. Durante a abordagem, ele teria resistido à prisão e proferido ameaças diretas contra o prefeito Ayrton Lira (MDB). A PM informou que o homem foi contido e encaminhado à delegacia regional, onde permanece à disposição da Justiça.

Histórico de transtornos e falta de assistência

Em depoimento à polícia, familiares do suspeito afirmaram que ele já havia sido diagnosticado com transtornos psiquiátricos e que, nos últimos dias, apresentava comportamento agressivo e desorientado. A mãe do detido, que preferiu não se identificar, declarou à reportagem que tentou buscar ajuda em unidades de saúde, mas não conseguiu atendimento especializado. “Ele estava fora de si, mas ninguém nos deu apoio. A gente não sabia o que fazer”, disse.

O caso expõe uma realidade recorrente em Alagoas e no Brasil: a falta de uma rede de assistência psicossocial eficiente. Dados do Ministério da Saúde indicam que o estado possui apenas 12 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para uma população de mais de 3,3 milhões de habitantes, número insuficiente para atender a demanda. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que a ausência de acompanhamento adequado pode levar a situações de risco, como a registrada em União dos Palmares.

Segurança de autoridades em xeque

O episódio também reacende o debate sobre a segurança de autoridades municipais. O prefeito Ayrton Lira, que está em seu segundo mandato, não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido, mas a Prefeitura de União dos Palmares emitiu uma nota informando que as medidas de segurança foram reforçadas. A nota também destacou que o gestor “confia no trabalho da polícia e da Justiça” e que “não há motivos para alarme”.

No entanto, o caso não é isolado. Em 2024, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou um aumento de 15% nas ameaças contra prefeitos e vereadores em todo o país, em comparação com o ano anterior. Em Alagoas, pelo menos três prefeitos foram alvos de ameaças nos últimos seis meses, segundo dados da Federação dos Municípios Alagoanos (FMA).

Desdobramentos legais e sociais

O suspeito foi autuado por ameaça e porte ilegal de arma branca, crimes previstos no Código Penal Brasileiro. A pena pode variar de três meses a dois anos de detenção, mas, devido ao histórico psiquiátrico, a defesa deverá solicitar a realização de perícia médica para avaliar a sanidade mental do acusado. Caso seja considerado inimputável, ele poderá ser encaminhado a um hospital de custódia.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como o Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (CRP-AL), criticaram a abordagem policial e pediram que o caso seja tratado com prioridade pela saúde pública. “Não se trata de criminalizar a doença mental, mas de garantir que o Estado ofereça tratamento digno e evite que tragédias como essa se repitam”, afirmou a presidente do CRP-AL, Maria Clara Santos, em nota.

Enquanto isso, a população de União dos Palmares vive sob apreensão. Moradores relataram que o suspeito era conhecido na região e que já havia demonstrado comportamentos estranhos anteriormente. “A gente via ele andando pelas ruas, mas ninguém imaginava que chegaria a esse ponto. Falta acolhimento para essas pessoas”, disse o comerciante José Carlos Silva, de 52 anos.

O caso segue sob investigação da Delegacia Regional de União dos Palmares, que deve ouvir novas testemunhas e analisar as circunstâncias que levaram à ameaça. A expectativa é de que o inquérito seja concluído nos próximos 30 dias.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *