Um homem foi preso nesta quarta-feira, 8, em cumprimento a mandado judicial, após ser acusado de estuprar as próprias filhas, de dez e 11 anos de idade. O suspeito ainda teria tentado subornar as crianças oferecendo R$ 10 e R$ 50 para não ser denunciado. O caso ocorreu na cidade de Inhapi, a 275 quilômetros de Maceió, e mobilizou forças de segurança locais, que cumpriram a ordem de prisão preventiva expedida pela Justiça.
De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil de Alagoas, os abusos vinham ocorrendo de forma reiterada dentro da residência da família. As crianças, que agora estão sob proteção do Conselho Tutelar, relataram os episódios a uma professora da escola municipal, que acionou o serviço de proteção à infância. O Conselho Tutelar, por sua vez, comunicou a Delegacia Regional de Polícia de Inhapi, que instaurou inquérito e representou pela prisão do acusado.
O delegado responsável pelo caso, João Batista da Silva, afirmou que as provas colhidas, incluindo depoimentos das vítimas e laudos periciais, foram suficientes para embasar a denúncia. “É um crime hediondo, praticado contra crianças indefesas, dentro do próprio lar. A tentativa de suborno com valores tão baixos demonstra a frieza e a manipulação do agressor”, declarou o delegado. A defesa do suspeito ainda não se manifestou publicamente.
Panorama político e social
O caso expõe uma realidade alarmante no interior de Alagoas, onde a violência doméstica e o abuso sexual infantil são frequentemente subnotificados. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou, em 2023, mais de 1.200 casos de estupro de vulneráveis, com a maioria das vítimas sendo meninas entre 10 e 14 anos. A cidade de Inhapi, com cerca de 20 mil habitantes, carece de estrutura de acolhimento e de delegacias especializadas, o que dificulta a denúncia e a proteção das vítimas.
A prisão do suspeito ocorre em meio a um debate nacional sobre o fortalecimento da rede de proteção à infância. O governo federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, anunciou recentemente a ampliação do programa “Criança Feliz” e a criação de centros de referência em municípios com altos índices de violência. No entanto, especialistas apontam que a falta de capilaridade do sistema e a insuficiência de recursos humanos ainda são entraves significativos.
O Conselho Tutelar de Inhapi, que atua com apenas três conselheiros para toda a cidade, enfrenta dificuldades para atender a demanda. “Estamos sobrecarregados, mas não medimos esforços para proteger as crianças. Esse caso mostra que a denúncia é fundamental, mas a prevenção precisa ser prioridade”, afirmou a conselheira Maria Aparecida dos Santos. A prefeitura de Inhapi, procurada, não se pronunciou sobre o caso.
O suspeito permanece preso à disposição da Justiça, e a audiência de custódia está prevista para os próximos dias. As filhas, que estão em acolhimento institucional, recebem acompanhamento psicológico. A sociedade civil organizada, por meio de associações de bairro e grupos de mulheres, já iniciou uma campanha de conscientização sobre a importância de denunciar abusos, utilizando o Disque 100 e o Conselho Tutelar.
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