Homem é preso por estuprar filha de 10 anos e oferecer R$ 50 para silenciá-la

Um homem foi preso nesta quarta-feira, 8, em cumprimento a mandado judicial, após ser acusado de estuprar a própria filha, de apenas dez anos. O suspeito ainda teria tentado subornar a criança oferecendo R$ 50 para não denunciar o crime. O caso ocorreu na cidade de Inhapi, a 275 quilômetros da capital, no sertão de Alagoas, e mobilizou as autoridades locais, que atuaram com rapidez na execução da ordem de prisão.

De acordo com informações da Polícia Civil de Alagoas, as investigações começaram após a criança relatar os abusos a uma professora da escola municipal onde estuda. A docente, ao perceber sinais de violência e ouvir o relato da menina, acionou o Conselho Tutelar, que imediatamente comunicou a delegacia especializada. O inquérito policial apontou que os estupros ocorreram de forma reiterada na residência da família, localizada em uma área rural do município.

O delegado responsável pelo caso, João Batista da Silva, afirmou que o suspeito tentou coagir a vítima com a oferta de dinheiro para que ela mantivesse silêncio sobre os crimes. “Ele ofereceu R$ 50 para a filha não contar o que estava acontecendo. Isso demonstra a gravidade e a frieza do ato”, declarou o delegado em coletiva de imprensa. A criança, no entanto, encontrou coragem para denunciar, com o apoio de educadores e conselheiros tutelares.

Panorama político e social

O caso reacende o debate sobre a proteção infantil no Brasil, especialmente em regiões do semiárido nordestino, onde a pobreza e o isolamento geográfico dificultam o acesso a serviços de assistência social e justiça. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2023, Alagoas registrou mais de 1.200 casos de estupro de vulneráveis, com 70% das vítimas sendo crianças e adolescentes. A situação em Inhapi, município com cerca de 18 mil habitantes, reflete uma realidade de subnotificação e falta de estrutura para acolhimento de vítimas.

Organizações como a Associação de Conselheiros Tutelares de Alagoas destacam a importância da atuação integrada entre escolas, conselhos e polícia para romper o ciclo de violência doméstica. “O silêncio é o maior aliado dos agressores. Quando uma criança encontra um adulto de confiança para relatar o abuso, a chance de responsabilização aumenta significativamente”, afirmou a presidente da associação, Maria Aparecida dos Santos.

O suspeito, cujo nome não foi divulgado para preservar a identidade da vítima, foi encaminhado ao sistema prisional e aguarda audiência de custódia. A Defensoria Pública do Estado já designou uma equipe para acompanhar o caso e garantir a proteção da menina, que foi acolhida em um abrigo sigiloso. A comunidade de Inhapi organizou uma manifestação pacífica em frente à prefeitura para cobrar medidas de prevenção e punição exemplar.

Especialistas em direitos humanos alertam que o suborno com valores baixos, como os R$ 50 oferecidos pelo agressor, é uma tática comum em contextos de vulnerabilidade econômica, onde a criança pode ser manipulada pela promessa de recompensa imediata. A Secretaria de Assistência Social de Alagoas anunciou que vai reforçar campanhas educativas nas escolas da região para ensinar crianças a identificar e denunciar abusos, além de ampliar o número de psicólogos nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS).

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