Uma idosa de 89 anos, cujo nome não foi divulgado pela família para preservar sua privacidade, aguarda há quase um mês por uma cirurgia de correção de fratura no fêmur, após sofrer uma queda em casa. A paciente passou inicialmente pelo Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, e foi transferida para o Hospital Regional da Mata, em União dos Palmares, mas o procedimento foi adiado por duas vezes, gerando indignação entre os familiares. A demora expõe as fragilidades do sistema público de saúde em Alagoas, onde a superlotação e a falta de estrutura para casos complexos são recorrentes.
De acordo com a família, a idosa deu entrada no HGE no dia 26 de junho, após fraturar o fêmur. No dia 28, ela foi transferida para o Hospital Regional da Mata, onde a cirurgia estava inicialmente agendada para 5 de julho. No entanto, o procedimento foi cancelado porque o hospital não dispunha de equipe para realizar o desligamento temporário do marca-passo da paciente, necessário para evitar interferências durante a operação. Uma nova data foi marcada para 12 de julho, mas novamente a cirurgia foi adiada, desta vez sob a justificativa de que o hospital não tinha condições de realizar o procedimento com segurança.
A família denuncia que, desde então, a idosa permanece internada no Hospital Regional da Mata, sem previsão de cirurgia, e que a demora tem causado sofrimento e risco de complicações, como infecções e trombose. “Ela está há quase um mês na cama, sem poder se mover, e a cada dia que passa a situação piora. Não sabemos mais o que fazer”, relatou um familiar, que preferiu não se identificar. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) foi procurada e, em nota, informou que a cirurgia será realizada em Maceió, no HGE, mas não detalhou a nova data. A pasta afirmou que “a paciente está sendo acompanhada pela equipe médica e que todos os esforços estão sendo feitos para garantir o procedimento com segurança”.
O caso reflete um problema estrutural na saúde pública alagoana, que enfrenta déficit de leitos, falta de especialistas e demora na regulação de cirurgias eletivas e de urgência. Dados do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (CRM-AL) indicam que a fila por cirurgias ortopédicas na rede estadual pode chegar a meses, especialmente para pacientes idosos, que exigem cuidados pré-operatórios específicos, como o manejo de dispositivos cardíacos. A situação também levanta questionamentos sobre a capacidade de hospitais regionais, como o da Mata, de atender casos de alta complexidade, que muitas vezes são concentrados na capital. Enquanto isso, a idosa e sua família aguardam, em meio à angústia, que o poder público cumpra o direito constitucional à saúde, sem mais adiamentos.
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