O inchaço abdominal, a fadiga constante e o intestino preso são queixas comuns em consultórios médicos, mas nem sempre a culpa é da disbiose — o desequilíbrio da microbiota intestinal. Em artigo publicado no portal TNH1, um especialista esclarece que esses sintomas podem ter origens variadas, como alimentação inadequada, estresse crônico, uso de medicamentos ou até doenças inflamatórias intestinais. A orientação é clara: antes de aderir a dietas restritivas ou suplementos, é fundamental buscar avaliação médica para identificar a causa real do desconforto.
A disbiose tornou-se um termo popular nos últimos anos, associado a uma série de problemas digestivos e sistêmicos. No entanto, o especialista ouvido pela reportagem ressalta que o diagnóstico correto exige exames específicos, como a análise de fezes e a avaliação clínica detalhada. “Muitas pessoas se automedicam com probióticos ou mudam a alimentação por conta própria, achando que têm disbiose, mas podem estar tratando o sintoma errado”, afirma o médico.
Panorama geral: o crescimento das queixas intestinais
O aumento de relatos de inchaço, fadiga e constipação reflete uma tendência observada em todo o Brasil, impulsionada por fatores como a má alimentação, o sedentarismo e o estresse da vida urbana. Dados da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva indicam que cerca de 30% da população sofre de constipação crônica, enquanto a síndrome do intestino irritável afeta até 20% dos brasileiros. A busca por soluções rápidas, como dietas low carb, jejum intermitente ou suplementos de fibras, muitas vezes ignora a necessidade de um diagnóstico preciso.
O especialista destaca que a disbiose é apenas uma peça de um quebra-cabeça maior. “O intestino é influenciado por múltiplos fatores: genética, medicamentos, infecções, estresse e até a qualidade do sono. Culpar exclusivamente a microbiota pode atrasar o tratamento de condições mais sérias, como doença celíaca, intolerâncias alimentares ou até câncer colorretal”, alerta.
Quando procurar ajuda?
O médico recomenda que pacientes com sintomas persistentes — como inchaço que não melhora com mudanças na dieta, fadiga intensa, alterações no hábito intestinal por mais de três semanas ou presença de sangue nas fezes — busquem um gastroenterologista. Exames como colonoscopia, teste de intolerância à lactose e análise de fezes podem descartar outras causas. “Não existe fórmula mágica. Cada caso exige uma abordagem individualizada, com base em exames e histórico clínico”, conclui.
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