A indústria nacional brasileira demonstrou um vigoroso avanço de 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, marcando o segundo crescimento consecutivo e acumulando uma expansão de 3% neste ano. Os dados, revelados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (2), indicam uma recuperação consistente do setor, que se posiciona 3,2% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020, embora ainda esteja 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Este desempenho positivo reflete uma dinâmica de recuperação e adaptação do parque industrial, que, apesar dos desafios históricos, consegue consolidar ganhos recentes. A distância para o pico de 2011, no entanto, ressalta a necessidade de políticas contínuas de estímulo e investimento para que o setor alcance seu potencial máximo e contribua de forma ainda mais expressiva para a economia nacional.
André Macedo, gerente da PIM, oferece uma análise aprofundada sobre os fatores por trás dessa ascensão. Ele explica que, “enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”. Essa recomposição sugere uma demanda aquecida e uma expectativa positiva por parte das empresas, que se preparam para atender ao mercado.
O crescimento da produção industrial foi amplamente disseminado, com avanços registrados nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE. Dentre as atividades que mais impulsionaram o resultado, destacam-se os veículos automotores, reboques e carrocerias, com um expressivo aumento de 6,6%, e o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que registrou um crescimento de 2,5%. As pressões positivas nesses setores vieram, principalmente, de automóveis e autopeças na indústria automobilística, e de derivados do petróleo e álcool etílico na atividade de biocombustíveis, evidenciando a força de segmentos estratégicos para a economia.
Panorama Econômico e Político
Este cenário de crescimento industrial se insere em um contexto econômico mais amplo de recuperação. A economia brasileira, conforme revelado pelo IBGE, cresceu 2,3% em 2025, indicando uma trajetória de expansão que beneficia diversos setores. Além disso, o governo federal tem implementado medidas de incentivo que visam fortalecer a indústria. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, anunciou a destinação de R$ 10 bilhões para investimentos em indústria 4.0 e bens de capital verde, sinalizando um compromisso com a modernização e a sustentabilidade do parque industrial. Paralelamente, a sanção de uma lei que reduz tributos para a indústria química demonstra um esforço contínuo para aliviar a carga fiscal e fomentar a competitividade, criando um ambiente mais propício para o avanço da produção e a geração de empregos no país.
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