A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou nesta quarta-feira (15) a condução do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos após o anúncio de uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos do Brasil, classificando a medida como um duro golpe para a competitividade da indústria nacional e avaliando que a retaliação comercial poderia ter sido evitada. Em nota oficial, a entidade atribuiu parte do deterioramento do cenário comercial a uma condução marcada por “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington”, enfraquecendo uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos.
Segundo a Fiesp, a decisão dos Estados Unidos é especialmente prejudicial por atingir exclusivamente o Brasil, colocando os exportadores nacionais em desvantagem diante de concorrentes internacionais. A entidade defendeu que uma abordagem mais técnica e pragmática poderia ter evitado o agravamento das tensões comerciais. “O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
A federação informou ainda que continuará atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para buscar a reversão ou a mitigação das tarifas, com a ampliação da lista de produtos isentos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também reagiu ao anúncio, afirmando que a medida amplia as dificuldades já enfrentadas pelas empresas exportadoras e aumenta a insegurança para companhias dos dois países. Segundo a CNI, os efeitos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já são percebidos no comércio bilateral: as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 13% no período, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, puxadas principalmente pela redução das vendas de bens industriais, incluindo produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira.
O panorama político geral revela um cenário de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, com impactos diretos sobre a indústria nacional. Enquanto o governo brasileiro busca reverter a medida, as entidades patronais pressionam por uma postura mais técnica e menos personalista, alertando para os riscos de isolamento diplomático e perda de competitividade. A Fiesp e a CNI, duas das principais representações do setor produtivo, convergem na avaliação de que a sobretaxa de 25% representa um obstáculo adicional em um ambiente já marcado por alta carga tributária e juros elevados no Brasil.
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