A inflação oficial desacelerou para 0,07% em julho, puxada pela queda nos alimentos. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,44%, abaixo do limite de 4,5% pela primeira vez desde abril, segundo dados divulgados nesta semana.
O alívio no bolso do consumidor, no entanto, não foi uniforme. Enquanto itens básicos da mesa ficaram mais baratos, a energia elétrica e as passagens aéreas pressionaram o indicador, mantendo o cenário de custos elevados em setores específicos.
A desaceleração veio em linha com o esperado pelo mercado, que já havia reagido positivamente à perspectiva de inflação mais comportada. Na véspera, a Bolsa disparou quase 3% e o dólar caiu pela terceira vez seguida, reflexo da leitura de que o Banco Central pode ter mais espaço para manejar a política monetária.
Apesar do alívio pontual, analistas seguem atentos aos riscos fiscais e à pressão sobre juros e câmbio, que podem ameaçar a estabilidade econômica nos próximos meses. O comportamento dos preços de serviços e a trajetória do câmbio serão decisivos para calibrar as próximas decisões do Copom.
No cenário político, o dado reforça o discurso de quem aposta na recuperação do poder de compra como trunfo eleitoral. Resta saber se a tendência de queda se sustenta até 2026, quando o eleitorado vai às urnas com a economia na pauta.
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