Invasão armada em terra indígena no Acre gera operação de segurança e tensão na fronteira

Uma denúncia de invasão armada e ameaças contra moradores da Aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena (TI) Ashaninka, no Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, interior do Acre, desencadeou uma operação do Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron) a partir do último dia 7. Até o momento, não houve prisões, e a situação é de “muita tensão”, segundo lideranças locais.

De acordo com os representantes indígenas, a invasão com ameaças ocorreu nos dias 5 e 6 de julho, motivada por uma restrição à circulação de não indígenas nas TIs da região. A medida foi adotada pelas comunidades devido à alta incidência de tráfico de drogas, desmatamento ilegal e garimpo ilegal na área. Francisco Piyãko, um dos líderes, afirmou: “A gente está em um momento de muita tensão aqui por conta do cenário, do contexto de invasão ao nosso território.”

Operação integrada e resposta institucional

Após receber a denúncia, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) enviou agentes do Gefron ao local no dia 7 de julho, utilizando um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). A operação inclui patrulhamento rural na aldeia e patrulhamento fluvial, com apoio dos indígenas. No dia 9, uma segunda equipe foi deslocada para a área.

Os agentes se reuniram com as lideranças indígenas, enquanto a Sejusp coordena o alinhamento institucional com agências federais e o Ministério Público Federal (MPF-AC). Além disso, agentes do Exército Brasileiro passaram a integrar a operação, que prevê patrulhamento fluvial até o Marco 40, na fronteira com o Peru, para garantir a circulação apenas de pessoas autorizadas nos territórios.

Panorama político e social

A ação ocorre em um contexto de crescentes conflitos fundiários e ambientais no Acre. Dados recentes indicam que mais de sete mil famílias foram afetadas por conflitos de terra no estado em 2025, segundo estudo citado pela reportagem. A região de fronteira, como a TI Ashaninka, é particularmente vulnerável ao tráfico de drogas e ao garimpo ilegal, que frequentemente envolvem grupos armados.

A restrição à circulação de não indígenas, embora legítima sob o ponto de vista da autodeterminação dos povos originários, gerou reações de setores que defendem a exploração econômica da região. A operação do Gefron e do Exército busca equilibrar a segurança das comunidades com o combate a crimes transfronteiriços, em um cenário de tensão que reflete os desafios da política indigenista e ambiental no Acre.

A Sejusp informou que continuará monitorando a situação e que novas medidas podem ser adotadas em conjunto com o MPF-AC e agências federais. A comunidade Ashaninka aguarda uma solução que garanta a proteção de seu território e a punição dos responsáveis pela invasão.

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