O irmão de Eloá Pimentel, um tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) que estava à paisana, foi baleado na cabeça por criminosos em uma moto enquanto parava em um semáforo em São Caetano do Sul, na região do ABC paulista. O atentado ocorreu na noite desta quinta-feira (26), e a vítima foi resgatada de helicóptero para um hospital da região, onde permanece em estado grave. A polícia montou uma operação para caçar os atiradores, que fugiram após o disparo.
O tenente, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, estava em um veículo particular quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. Os criminosos efetuaram um disparo que atingiu a cabeça do oficial, que é irmão de Eloá Pimentel, vítima de um sequestro seguido de morte em 2008 que chocou o país. O caso ocorreu em um cruzamento movimentado da cidade, e testemunhas relataram que os atiradores fugiram em alta velocidade após o ataque.
Resgate e investigação
O oficial foi socorrido por equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e, devido à gravidade do ferimento, foi transportado de helicóptero para o Hospital São Paulo, em São Caetano do Sul. A unidade de saúde informou que o paciente passou por cirurgia e segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com quadro estável, mas ainda em risco. A Polícia Militar e a Polícia Civil trabalham em conjunto para identificar e prender os suspeitos, que podem ter ligação com facções criminosas que atuam na região.
O atentado contra um integrante da Rota, considerada uma das forças de elite da PM paulista, acendeu um alerta no sistema de segurança pública do estado. A região do ABC paulista tem registrado aumento de confrontos entre policiais e criminosos, especialmente em áreas de fronteira com comunidades dominadas pelo tráfico. O caso também reacendeu a memória do sequestro de Eloá Pimentel, que foi mantida refém por cinco dias em 2008 e morta pelo ex-namorado, em um crime que teve ampla cobertura midiática e gerou comoção nacional.
Panorama político e social
O episódio ocorre em um momento de tensão no estado de São Paulo, onde o governo estadual tem enfrentado críticas pela escalada da violência e pela atuação das forças policiais. O ataque a um oficial da Rota pode ser interpretado como um desafio direto ao poder do Estado, especialmente em uma área metropolitana que concentra grande parte dos homicídios e roubos do estado. Lideranças políticas locais, como o prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior, manifestaram solidariedade à família do tenente e cobraram celeridade nas investigações.
O caso também levanta questões sobre a segurança de policiais fora de serviço, já que o tenente estava à paisana no momento do ataque. Especialistas em segurança pública apontam que a identificação de agentes por criminosos pode estar relacionada a vazamentos de informações ou a uma estratégia de intimidação por parte de facções. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que vai reforçar o policiamento na região e que as investigações estão em andamento para esclarecer a motivação do crime.
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